Life Below atira o jogador para as profundezas de uma mina abandonada. Começamos com uma picareta na mão e muito pouco oxigénio. A ideia de sobreviver no subsolo não é nova. Mesmo assim, o ambiente fechado cria uma pressão inicial que é interessante. O problema é que essa tensão inicial passa depressa. Transforma-se numa rotina de trabalho que cansa mais do que diverte.
Jogabilidade
A extração de minério é o motor de toda a experiência. Passamos grande parte do tempo a bater em rochas. É assim que recolhemos carvão, ferro e pedras preciosas. O uso da picareta exige atenção ao ritmo. O processo torna-se monótono ao fim de meia dúzia de galerias. Não há grande satisfação no bater das ferramentas.
O maior obstáculo à exploração é gerir o oxigénio e a energia a toda a hora. Temos de voltar atrás para reabastecer. Isso corta o ritmo do jogo a toda a hora. Não sentimos o perigo da descoberta. Sentimos a chatice de fazer o mesmo caminho de volta. Fazemos isso dezenas de vezes só para não morrer sem ar. Os controlos não ajudam. São pesados quando precisamos de reagir depressa a perigos que aparecem do nada.
Fazer objectos e melhorar o equipamento dá alguma progressão. Podemos construir melhores ferramentas. Também podemos fazer lanternas mais potentes. Ainda assim, estas melhorias servem só para ajudar a aguentar a seca das mecânicas de sobrevivência. Não servem para abrir novas formas de jogar que sejam mesmo divertidas.

Mundo e história
A história é muito simples. Foca-se na solidão do mineiro que está perdido. Encontramos pequenas notas pelo caminho. Há vestígios de trabalhadores que estiveram lá antes. Isso ajuda a perceber o que correu mal naquelas minas. Funciona para dar contexto. Não esperem grandes revelações ou personagens que fiquem na memória. O cenário é o verdadeiro protagonista.
Grafismo
Na parte visual, o jogo escolhe cores escuras. Usa efeitos de luz muito limitados para mostrar a escuridão. O ecrã está quase sempre às escuras. Isso ajuda a criar o ambiente de isolamento. Por outro lado, a falta de variedade visual nos cenários baralha o jogador. Não sabemos para onde ir. Muitas galerias parecem exactamente iguais.

Som
O trabalho de áudio vive do silêncio. Vive também dos sons que fazem eco na mina. O barulho das gotas de água a cair é bom. O som metálico da picareta também é competente. A música só aparece em momentos muito certos. Serve para mostrar o perigo. Isso ajuda a manter a atenção no ambiente pesado.
Conclusão
Life Below funciona para quem quer uma sobrevivência lenta e metódica. É preciso ter muita paciência para fazer tarefas repetitivas. Não vai agradar a quem quer acção. Também não serve para quem procura uma progressão rápida. O ciclo de escavar, andar para trás para respirar e voltar a escavar cansa depressa. Cansa depressa demais para prender o jogador durante muito tempo.

