Análises

Análise: Low-Budget Repairs

Ninguém quer um trolha incompetente a fazer obras em casa. Azulejos tortos são um pesadelo. Gesso mal aplicado e pintura manchada também. No entanto, ser esse construtor trapaceiro é muito divertido. Low-Budget Repairs não quer ser uma simulação perfeita. O jogo prefere o lado mais absurdo e trapalhão das obras em casa.

O objectivo aqui não é a perfeição. O objectivo é o lucro fácil. O jogo incentiva o jogador a cortar caminhos. Queremos poupar dinheiro. Podemos pintar uma parede à pressa. Podemos enfiar lixo pela sanita abaixo. Assim não pagamos a taxa de eliminação. O jogo deixa-nos fazer tudo isso. Este estilo pateta dá alma ao jogo. Transforma tarefas chatas em momentos de pura parvoíce.

Jogabilidade

A jogabilidade vive do equilíbrio. Queremos poupar ao máximo e fazer um trabalho minimamente aceitável. Podemos usar as bacias dos clientes para misturar cimento. Assim não compramos baldes novos. Podemos trocar um sofá vermelho por um castanho mais barato. A diferença vai para o nosso bolso. Temos liberdade para experimentar. É divertido ver até onde podemos esticar a corda sem sermos despedidos. Este é o ponto mais forte do jogo.

Infelizmente, as mecânicas de renovação não acompanham este entusiasmo. Pintar e colocar gesso cansa depressa. Fica muito chato logo após as primeiras tentativas. O processo é só molhar o pincel e passar na parede. Depois molhamos outra vez e repetimos. O jogo tenta encontrar um ritmo relaxante. Outros simuladores de limpeza conseguem isso. Aqui a jogabilidade é demasiado trapalhona para resultar.

Outras tarefas sofrem com problemas opostos. Se o gesso é simples demais, os azulejos exigem uma precisão irritante. Qualquer pequeno deslize de posicionamento deita o trabalho a perder. Há acções divertidas, como atirar sofás velhos pela janela de um prédio. Mas até essas acções sofrem com os controlos. Os controlos parecem lutar sempre contra o jogador.

Mundo e história

A história acompanha o tom ridículo do jogo. Somos guiados pelo fantasma de um tio bêbado. Tentamos arranjar o velho bungalow degradado da nossa tia. Fazemos isso com o dinheiro que vamos amealhando. O elenco de personagens é bizarro. O arranque tem piadas de gosto duvidoso. Mesmo assim, a história acaba por revelar um lado caricato. É um lado cativante que ajuda a aguentar a rotina das obras.

Grafismo

O jogo não é bonito. Os cenários são cinzentos e genéricos. Não têm grande detalhe. A juntar à falta de qualidade visual, há problemas de desempenho. O jogo tem quebras de fluidez frequentes. Isso torna a navegação pelas casas ainda mais desconfortável.

Som

O trabalho de som cumpre apenas o mínimo. Dá um ambiente básico às obras. Não há nenhum elemento que se destaque ou que ajude a entrar no jogo. O som serve apenas como ruído de fundo. Fica lá para as marteladas e para os desastres que vamos provocando.

Conclusão

Low-Budget Repairs funciona bem para quem quer uma comédia. É um jogo de rir disfarçado de simulador. É bom para quem gosta de fugir às regras para poupar uns trocos virtuais. Não vai agradar a quem procura um simulador de construção a sério. Falta detalhe, os controlos são desajeitados e as tarefas repetem-se muito. Vale pela piada de ser o pior trolha possível. Mas ainda precisa de muito polimento para ser um jogo recomendável.

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