Análises

Análise: Meat Grinder

Servir cachorros-quentes a clientes impacientes durante o dia. Profanar sepulturas à noite para rechear as salsichas com carne humana. Meat-Grinder não tem medo de ser grotesco. Esta premissa bizarra carrega o jogo nas costas no início. O contraste é grande. Temos a rotina pacífica da restauração e a tensão macabra da noite. Isto cria um ambiente muito próprio. O problema é que a ideia esgota-se depressa. O jogo não consegue construir algo de jeito sobre ela.

Jogabilidade

A rotina do dia funciona bem. Preparar os cachorros, fritar batatas e servir bebidas é simples. Também é satisfatório. O jogo ganha pontos no humor negro. Podemos servir fezes aos clientes mais chatos. Podemos usar molhos especiais que os põem a dançar a meio da rua. É parvo, divertido e funciona.

O problema surge quando tentamos gerir o negócio a sério. Não há profundidade nenhuma. Não podemos personalizar o espaço. Não podemos definir preços. Não podemos alterar o menu. O jogo resume-se a repetir os mesmos passos. Não há qualquer sentido de progressão real.

À noite, o jogo muda para a exploração e profanação de túmulos. Esta dinâmica devia ser o motor do jogo. Mas torna-se chata muito rápido. A maior parte da carne que tiramos dos cadáveres está podre. Não serve para nada. Para piorar, a patrulha policial aperta o cerco. Acabamos com uma actividade de alto risco. O retorno é quase nulo. A cidade de Grimshore é vazia à noite. Não há missões secundárias. Não há edifícios para visitar além da loja. A exploração passa a ser um frete.

Mundo e história

A atmosfera misteriosa de Grimshore e o passado do protagonista deixam alguma curiosidade no início. Mas a história falha no desenvolvimento. As alucinações do protagonista surgem sem nexo. Servem apenas para forçar sustos fáceis. O pior é a falta de reacção do mundo. Podemos carregar pedaços de cadáveres para dentro do restaurante. Fazemos isso à frente dos clientes e ninguém quer saber.

A campanha principal dura pouco mais de duas horas. O final é muito abrupto. O jogo limita-se a despejar informação. Mostra revelações vagas no ecrã. Isto deixa o jogador com uma sensação de vazio. Não dá grande vontade de continuar a jogar no modo livre.

Grafismo

O estilo visual retro low-poly lembra a era da PlayStation original. É o maior aliado da atmosfera. As texturas pixelizadas e as cores sujas são perfeitas para o tom grotesco do jogo. O aspecto visual consegue ser desconfortável e nostálgico ao mesmo tempo.

Som

O trabalho sonoro cumpre o seu papel sem espalhafato. Os efeitos de cozinha são competentes. A banda sonora sombria ajuda a manter o tom de mistério. Também ajuda no desconforto enquanto andamos pelas ruas cheias de nevoeiro da cidade.

Conclusão

Meat-Grinder é uma experiência barata e muito bizarra. Mas é muito limitada. Funciona muito bem para quem procura um jogo de terror com humor negro para uma tarde. Também serve para quem gosta da estética retro. Não vai funcionar para quem espera um simulador de gestão a sério. Não serve para quem quer uma história bem estruturada. A premissa original merecia mecânicas mais ricas. O jogo precisava de durar mais do que duas horas.

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