Análises

Análise: The Alighieri Circle: Dante’s Bloodline

The Alighieri Circle: Dante’s Bloodline atira-nos para o abismo. Não tem qualquer intenção de nos dar a mão. Esqueçam as ajudas modernas. Esqueçam os indicadores luminosos no ecrã. Aqui a progressão conquista-se com esforço mental puro. Tudo isto vem embrulhado numa atmosfera densa. Parece uma pintura clássica sobre o sofrimento eterno.

Jogabilidade

O jogo tem um ritmo lento. Fica muito perto de um simulador de caminhada sobre carris. Não há espaço para correrias. Também não há a acção rápida que o Inferno costuma ter noutros jogos. O foco está todo na resolução de quebra-cabeças complexos. Estes puzzles exigem atenção real aos detalhes. Exigem um esforço da cabeça que já raramente se vê neste género.

Resolver cada enigma sem qualquer sistema de pistas dá muito gozo. O problema é quando as coisas correm mal. O sistema de gravação usa só checkpoints rígidos. Se falharem ou se precisarem de recarregar o jogo, preparem-se. Vão ter de repetir secções inteiras. Esta decisão de design quebra o ritmo. Transforma o que devia ser contemplação em pura frustração.

Para piorar as coisas, a repetição obriga-nos a ouvir tudo outra vez. Temos de ouvir os mesmos monólogos do nosso guia espiritual. Não dá para saltar estes diálogos. Por causa disso, a repetição fica seca muito depressa. A jogabilidade sobre carris também corta a liberdade. Faz-nos sentir que somos só espectadores. Somos obrigados a resolver problemas para avançar no trilho.

Mundo e história

A história parte da linhagem de Dante Alighieri. Fala do ciclo de 33 anos necessário para fechar o Inferno. É uma base curiosa. O tom poético do texto respeita muito a obra original. A voz do antepassado que nos guia é forte e misteriosa. Ela ajuda a tapar a falta de ligação que sentimos com o protagonista, Gabriele.

Grafismo

Na parte visual, o jogo é muito bonito na sua desolação. O Inferno aparece com paisagens caóticas. Tem rochas bicudas e figuras gigantes que enchem o horizonte. O uso de um tom vermelho escuro cria um ambiente especial. Consegue ser atraente e assustador ao mesmo tempo. Mas toda esta beleza visual pede muito do computador. Pode dar problemas de desempenho em máquinas mais fracas.

Som

A voz do antepassado é o grande ponto forte do som. É uma interpretação que impõe respeito desde o primeiro segundo. É uma pena que esta qualidade se estrague. Somos obrigados a ouvir as mesmas falas muitas vezes sempre que falhamos um puzzle.

Conclusão

The Alighieri Circle: Dante’s Bloodline funciona muito bem para quem quer puzzles difíceis. É bom para quem gosta do estilo escuro e poético de Dante. Não é para jogadores casuais. Também não é para quem se irrita com a repetição de partes do jogo por causa de checkpoints mal feitos. Se tiverem paciência e um bom computador, a viagem vale a pena. Vale pelo desafio para a cabeça e pela arte.

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