WARSHIFT 2 atira o jogador para o campo de batalha. Ali as regras mudam de um segundo para o outro. A promessa é enorme. Controlamos um exército a partir do céu. É como num jogo de estratégia normal. No instante a seguir, podemos saltar para o corpo de um soldado. Ou podemos saltar para um veículo de combate. Esta troca rápida devia ser o ponto forte do jogo. Mas a troca só mostra as falhas de um projecto que quer fazer tudo ao mesmo tempo.
Jogabilidade
A mecânica de mudar entre a visão de estratégia e o combate directo é o motor do jogo. No papel, a ideia é brilhante. Estamos a gerir a construção de bases. Estamos a mover as tropas. Quando a situação aperta, controlamos uma unidade. Vamos fazer a diferença no terreno. O problema é que nenhuma destas duas partes funciona bem.
Como jogo de estratégia, a interface é confusa. Os controlos não respondem com a precisão que era precisa. É difícil dar ordens rápidas. A inteligência artificial das nossas tropas toma decisões parvas muitas vezes. Quando tentamos resolver as coisas com as mãos, a acção falha. A mira é imprecisa. Quase não se sente o impacto dos tiros. A movimentação das personagens é pesada e parece falsa.
Esta falta de polimento estraga o ritmo das batalhas. Queremos ser um comandante genial que também sabe lutar. Mas passamos o tempo a lutar contra os sistemas do jogo. É uma pena. Há momentos em que o tamanho dos combates impressiona. Mas a frustração de falhar por causa de controlos ruins fala mais alto.

Mundo e história
O cenário é de ficção científica. É um conflito no espaço entre humanos e extraterrestres. É um tema muito comum. Há uma campanha que tenta dar sentido a estas batalhas. Mas a história serve só de desculpa para saltar de mapa em mapa. As personagens não têm força nenhuma. Os diálogos servem só para dar instruções. Não há nenhuma ideia nova aqui.
Grafismo
A parte visual do jogo parece antiga. Os bonecos das unidades e os edifícios têm poucos detalhes. As texturas do chão são muito simples. O jogo também fica mais lento quando há muitas coisas no ecrã ao mesmo tempo. Estas quebras de fluidez estragam muito a acção directa.

Som
O som vai pelo mesmo caminho do resto do jogo. Os barulhos das explosões e dos tiros fazem o seu papel. Mas não têm força nem definição. A música quer dar um tom épico de batalha no espaço. Mas a música cansa e fica repetitiva ao fim de poucas horas.
Conclusão
WARSHIFT 2 falha porque quer fazer coisas a mais. O jogo tenta agradar a quem gosta de estratégia. Também quer agradar a quem gosta de acção na primeira pessoa. Mas não dá mecânicas boas em nenhum dos lados. Pode funcionar para quem tem muita curiosidade em ver esta mistura. E para quem tem paciência para aguentar erros técnicos graves. Para a maioria das pessoas, a falta de polimento torna tudo muito irritante. Não dá para recomendar.

