Corporation Liberty atira-nos para o pior pesadelo do trabalho de escritório. Não há conversas de café nem pausas para respirar. Há apenas um terminal, quatro trabalhadores e uma pressão constante. Temos de cumprir objetivos antes que o tempo acabe. A premissa é forte. No entanto, a execução nesta demonstração fica muito aquém daquilo que uma boa ideia exige.
Jogabilidade
O centro de toda a experiência é um terminal de trabalho. Este terminal é partilhado por até quatro jogadores. Este ecrã comum gera tarefas aleatórias. As tarefas têm de ser resolvidas em equipa. Falhar não significa apenas um raspanete do chefe. Significa consequências físicas diretas no posto de trabalho. É um conceito brilhante na teoria.
Trabalhar sob esta pressão cria momentos de pânico genuíno. Um erro de um colega afeta o grupo todo. O jogo permite cooperar para sobreviver ao turno. Também permite trair os companheiros para benefício próprio. Esta dinâmica de desconfiança constante é o melhor que o jogo tem para oferecer.
O problema é que a jogabilidade na prática é fraca. O feedback inicial dos jogadores aponta para controlos maus. Há uma sensação de vazio nas ações. O ciclo de tarefas torna-se rapidamente aborrecido. Isto acontece por causa da falta de polimento técnico. O potencial de diversão com amigos esgota-se depressa. A própria interação com o jogo falha no básico.

Mundo e história
A atmosfera de terror industrial e doutrinação corporativa é opressiva. O lema diz que a obediência cega é a verdadeira liberdade. Este lema funciona muito bem para ditar o tom. Sentimo-nos como peças descartáveis de uma máquina gigante. Infelizmente, o jogo ainda é uma versão de demonstração. Por isso, não há ainda uma narrativa desenvolvida que dê força a este universo.
Grafismo
Visualmente, o jogo desaponta. O aspeto gráfico é muito fraco. Carece de detalhe ou de uma identidade forte. O ambiente industrial acaba por parecer apenas despido e inacabado. Não consegue parecer assustador ou claustrofóbico. É um ponto que precisa de uma revisão urgente.

Som
O trabalho de áudio consegue ser mais eficaz. O som ambiente ajuda a construir a tensão necessária. Há alarmes estridentes e sussurros constantes nas condutas de ventilação. Estes sons criam uma camada extra de desconforto. É algo que fica muito bem na temática de terror psicológico.
Conclusão
Corporation Liberty apresenta uma ideia experimental interessante. O terminal cooperativo de sobrevivência laboral é o centro de tudo. O conceito funciona para grupos de amigos. Serve para quem queira uma experiência rápida de gestão de tempo sob pressão extrema. Não serve, de todo, para quem joga sozinho. Também não serve para quem procura um jogo polido e com bom aspeto visual. No estado atual, esta demonstração revela a verdade. A equipa de desenvolvimento tem ainda muito trabalho pela frente. Só assim vão transformar esta ideia num jogo minimamente recomendável.

