Antevisões

Antevisão: Dino Run 2

Dino Run 2 coloca-nos outra vez na pele de um réptil que corre pela vida. Mas nesta fase de testes a grande ameaça ainda não chegou. O que temos em mãos é um parque de diversões pré-histórico. As fundações estão lá. Elas mostram uma agilidade incrível. Falta o resto. Falta o pânico que tornou o clássico da PixelJam tão viciante.

Jogabilidade

A agilidade do dinossauro é o ponto mais forte desta experiência. Controlar o raptor é um processo imediato. É também extremamente satisfatório. O sprint transmite uma sensação de velocidade real. O ímpeto acumulado dita o sucesso dos saltos. Conseguimos calcular cada queda com precisão. A chicotada de cauda e a transição para o voo livre transformam a exploração vertical do cenário em algo natural. É divertido correr por correr. Isso diz muito sobre a qualidade física do movimento.

O problema é que corremos para lado nenhum. O modo sandbox disponível permite-nos construir com ferramentas básicas. Permite também testar as físicas do motor de jogo. Mas a falta da icónica parede de fogo, a famosa Doomwall, retira qualquer sentido de urgência. Sem a ameaça da extinção iminente, o jogo perde rapidamente o rumo. Não há perigo. Não há um objetivo estruturado. Estamos limitados a apenas uma espécie de dinossauro nesta build. Isso desgasta o interesse ao fim de poucas sessões de experimentação.

A personalização do nosso dinossauro assume aqui um papel central e muito divertido. O jogo afasta-se do realismo científico para abraçar o ridículo. Podemos alterar cores. Podemos ajustar penas e equipar adereços absurdos como cabeças de abóbora ou chapéus. Ver um raptor ultra-rápido com um aspeto pateta a saltar por cima de obstáculos dá um toque de humor leve. Esse toque de humor fica muito bem na identidade do projeto.

Mundo e história

O mapa disponível para testes é surpreendentemente grande. Ele esconde vários segredos nas suas plataformas mais elevadas. No entanto, a falta de geração de níveis ao calhas nesta versão de antevisão faz com que os caminhos alternativos percam a piada. Isso acontece logo após a primeira descoberta. Sem os caminhos dinâmicos prometidos para a versão final, o cenário torna-se estático e previsível.

Grafismo

O estilo visual em pixel art retro foi refinado. Ele mantém a identidade a duas dimensões do original, mas tem maior detalhe nas animações. O destaque visual vai inteiramente para a expressividade do dinossauro personalizável. Os seus adereços e cores reagem muito bem ao movimento veloz.

Som

Os efeitos sonoros acompanham o ritmo rápido das corridas. Mas nesta fase a componente sonora ainda serve apenas como acompanhamento básico para os testes de física e exploração.

Conclusão

Dino Run 2 mostra um potencial enorme. Isso deve-se a controlos rápidos e a uma física de movimento muito bem afinada. Para quem gosta de experimentar com ferramentas de construção e personalização estética de forma descontraída, há aqui diversão imediata. Contudo, para quem procura a experiência de sobrevivência tensa e o desafio estruturado que definiu a série, o jogo atual é apenas uma promessa. Vale pela demonstração mecânica. Mas precisa urgentemente que o apocalipse chegue para se tornar num jogo completo.

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