Antevisões

Antevisão: Hotel Galactic

Hotel Galactic entra pelos olhos adentro com a delicadeza de um livro ilustrado. Nós somos os gestores deste hotel no espaço. Somos convidados a construir e a expandir quartos. Parece que estamos a mexer numa casa de bonecas cósmica. A atmosfera é calorosa e misteriosa. O jogo convida à calma. No entanto, por trás desta fachada terna e pintada à mão, esconde-se um projeto que ainda está claramente em obras.

Jogabilidade

Gerir este hotel espacial afasta-se da habitual frieza das folhas de cálculo. O jogo aposta numa escala humana. Também aposta na entrega automática de tarefas para recolher recursos. Isto evita a microgestão aborrecida que costuma atormentar o género. É muito bom ver a nossa equipa a trabalhar sozinha. Entretanto, novas naves trazem hóspedes, mercadores e novos funcionários. A progressão faz-se sem pressas.

O problema é que esta tranquilidade é travada por muitas falhas. O tutorial inicial explica muito mal o que fazer. Ficamos muitas vezes a adivinhar qual é o próximo passo. A câmara e os controlos de zoom também não ajudam. São desajeitados. Nunca parecem encontrar um meio-termo confortável para ver o que se passa.

A preparação de refeições devia ser uma das partes mais giras do dia a dia. Mas o sistema de culinária é muito curto. Pior do que isso, tem falhas graves. Há erros que obrigam a recarregar o jogo. Outras vezes temos de ignorar a cozinha para o jogo não parar. Além disso, as personagens perdem-se no caminho. O ecrã fica cheio de ícones de comida que não saem de lá.

Mundo e história

A história surge de forma muito natural. Aparece através de desenhos animados e de diálogos que dão vida ao hotel. As personagens secundárias são o verdadeiro coração do espaço. Figuras como Tukyuk e Sparn têm muito carisma e expressão. É fácil gostar deste grupo estranho que vive e visita o nosso hotel flutuante.

Grafismo

Na parte visual, o jogo é uma obra de arte em movimento. O estilo em duas dimensões e meia lembra aguarelas. Faz lembrar logo os desenhos do Studio Ghibli ou do jogo Spiritfarer. As cores quentes dão um aconchego fantástico ao ecrã. A luz suave de cada quarto também ajuda. Cada movimento das personagens mostra a força deste projeto.

Som

A música de Zofia Dormaradzka acompanha muito bem este tom de saudade. O trabalho de vozes para todas as personagens é excelente. O texto dos diálogos usa efeitos visuais que dão mais força à escrita. Só há uma falta de acerto entre as legendas e o som na introdução do jogo.

Conclusão

Hotel Galactic tem imenso potencial. Tem uma alma artística que não se pode negar. O jogo funciona muito bem para quem gosta de ver o crescimento de projetos independentes. Serve para quem não se importa de apanhar os erros do Acesso Antecipado. Para quem quer um jogo de gestão limpo e sem problemas, o melhor é esperar. As obras no hotel têm de acabar. Há um ciclo de noite eterno que teima em aparecer depois das chuvas de meteoros. Isto mostra bem que este espaço ainda precisa de muitas reparações.

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