Antevisões

Antevisão: Last Drop

Entrar no mundo de Last Drop é perceber logo uma coisa. A Finlândia tem uma melancolia muito própria. O jogo fica longe dos bairros de lata. Fica longe das cidades genéricas que os videojogos adoram repetir. Este cenário leva-nos para blocos de apartamentos cinzentos. Mostra-nos ruas frias de 1994. É uma comédia negra e absurda. A história foca-se em Zeze. Zeze é um escritor falhado que está quase a publicar um livro. O charme desta ideia é o maior trunfo do jogo. A construção do mundo também ajuda muito. Mas o jogo faz questão de nos lembrar de uma coisa. Ainda está numa fase muito inicial de desenvolvimento.

Jogabilidade

A base do jogo é apelativa. Dá para explorar esta cidade a pé. Também dá para conduzir um chaço antigo. O problema está na execução. A jogabilidade é muito rígida. A física de boneco de trapos é desajeitada. Por causa disso, qualquer movimento parece uma luta contra os controlos. O jogo quer que o jogador tenha comportamentos desregrados. Isso serve para desbloquear habilidades especiais. O jogador tem de beber álcool. Tem de conduzir de forma louca. Tem de arranjar pancadaria. No papel isto parece divertido. Na prática é diferente. Os combates são inspirados em jogos antigos de pancadaria. Mas estes combates sofrem com a câmara. Os ângulos não são fiáveis. Há também uma falta de força enorme nos golpes.

O maior obstáculo à diversão é a falta de gravação automática. Não há gravação a meio do jogo. Também não há gravação ao sair. Se o jogo for abaixo, o progresso perde-se todo. Se o jogador precisar de fechar o jogo, o progresso também se perde. Ter de repetir partes inteiras é mau. Ter de ouvir diálogos longos que não se podem saltar é ainda pior. Isto destrói qualquer paciência. É um erro básico. Transforma o caos divertido em pura frustração.

Mundo e história

A história de Zeze é o que mantém o interesse vivo. O humor absurdo também ajuda. Há muitas referências aos anos 80. Há também uma forte inspiração em locais reais da Finlândia. Tudo isto dá ao jogo uma identidade muito forte. Há aqui uma alma que raramente se vê em jogos independentes. Mas o estado atual de acesso antecipado estraga a história. As missões secundárias são muito confusas. Parecem não levar a lado nenhum. Para além disso, as cenas de vídeo sofrem com cortes rápidos demais. Há falhas técnicas que se vêem bem. Há também problemas de tradução que estragam o ritmo das piadas.

Grafismo

O jogo surpreende pela parte visual. Tem um excelente detalhe nas texturas. A iluminação também é boa, sobretudo num PC forte. Os planos de câmara no início mostram ambição. Parece um filme. Mas o desempenho falha muito. Na Steam Deck a experiência é má. O arrastamento da imagem no início é muito forte. É tão mau que obriga a ir logo às opções para o desligar. Durante as cenas de vídeo, o jogo engasga-se a toda a hora.

Som

A banda sonora aposta forte em guitarras de heavy metal. Isto encaixa muito bem no jogo. Combina com a atmosfera pesada e nórdica. Um detalhe importante é a voz. A opção de áudio original com legendas funciona muito melhor. É muito superior à dobragem em inglês. Ajuda a dar verdade àquele cenário cinzento e triste.

Conclusão

Last Drop tem força para ser um clássico de culto. A atmosfera da Finlândia é ótima. A ideia do escritor com problemas também é muito boa. Mas a parte técnica falha demasiado nesta altura. O jogo serve para quem quer uma comédia negra diferente. Serve para quem tem paciência para os erros de um acesso antecipado. Não serve para quem quer um jogo que corra bem. E não serve para quem não quer perder o progresso por falta de gravação automática.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *