Antevisões

Antevisão: Mystic

Hanzala acorda no meio do nada. A sua casa ardeu. O cenário inicial promete uma aventura inspirada nas lendas das Mil e Uma Noites. Aqui, os Jinn, que são espíritos do folclore árabe, moldam a realidade. No entanto, a beleza visual esconde rapidamente um jogo difícil. O jogo parece determinado a expulsar o jogador logo nos primeiros minutos.

Jogabilidade

O movimento básico de Mystic vive do parkour. Subir superfícies funciona bem. Saltar entre plataformas é fluido. O problema é que esta agilidade serve quase só para fugir. Fugimos de ameaças que o jogador não consegue combater. O início da sobrevivência é um ciclo penoso. Morremos depressa e morremos muitas vezes.

O jogo sugere a reconstrução de cabanas. Também sugere a criação de uma base. Mas falha no básico. O mapa indica locais para reparar. O problema é que estes locais estão vigiados por inimigos. É impossível derrotar estes inimigos a soco. Para piorar, o martelo para as reparações não está no inventário. O jogo não dá nenhuma pista sobre como obter o martelo. Também não diz como o fabricar. Não temos armas e não temos ferramentas. A única opção é correr por aldeias desertas. Nessas aldeias só habitam lobos e espíritos.

Mundo e história

A premissa é explorar a mitologia árabe. A presença constante dos Jinn é o foco. Isto diferencia o jogo de outros títulos de sobrevivência comuns. Há um ambiente misterioso e pesado. Esse ambiente resulta bem no papel. É pena que a interacção com este mundo quebre a ilusão quase logo. Ficamos presos num elemento do cenário ou somos eliminados por ameaças invisíveis.

Grafismo

O trabalho visual da produtora ILHAM impressiona ao primeiro olhar. Os cenários têm muitos detalhes. As animações de Hanzala ao escalar são muito naturais. Esta qualidade gráfica tem um custo pesado no desempenho. Há quebras de fluidez constantes. Isto acontece mesmo em máquinas muito fortes. Existem ainda alguns erros visuais engraçados. É o caso das texturas de roupa sobrepostas na personagem principal.

Som

O trabalho de som é o ponto mais fraco de todos. Os Jinn são silenciosos quando se aproximam. Também são silenciosos no ataque. A sobrevivência depende de detectar o perigo. Morrer muitas vezes sem ouvir o que nos atacou é muito irritante.

Conclusão

Mystic tem uma excelente atmosfera. Tem uma temática rica que merece ser explorada. Mas o estado actual do jogo impede um progresso bom. O jogo só funciona para quem tem paciência extrema. É preciso paciência para lidar com as falhas de um acesso antecipado muito verde. A maioria das pessoas quer uma jogabilidade justa e explicada. Para essas pessoas, o melhor é deixar este Jinn fechado na garrafa mais algum tempo.

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