Antevisões

Antevisão: Pax Autocratica

Pax Autocratica atira-nos para a cadeira de um ditador. Faz isso sem qualquer tipo de preparação ou cerimónia. A ideia é controlar um estado totalitário através de decretos e controlo social. Esta ideia tem pernas para andar. O problema é que a execução falha logo nos primeiros minutos. O jogo quer que sintamos o peso do poder. A única coisa que realmente pesa é a interface confusa. Falta também uma direcção clara.

Jogabilidade

A gestão do estado faz-se através de menus cinzentos e tabelas. Parecem saídas de um programa de contabilidade antigo. Esta burocracia extrema é a marca do jogo. Torna-se rapidamente o seu maior problema. Não tomamos decisões políticas de grande impacto. Em vez disso, passamos o tempo a ajustar pequenas percentagens de impostos. Ou assinamos autorizações de circulação. Fazemos isto sem perceber muito bem o efeito prático das nossas acções.

O jogo tenta ser diferente de outros simuladores políticos. Foca-se na microgestão da opressão. Podemos criar leis absurdas, censurar a imprensa e perseguir dissidentes. O problema é que estas acções parecem não ter consequências lógicas. Um dia proibimos o consumo de café. A população aceita sem queixar-se. No dia seguinte, aumentamos a taxa de recolha de lixo em dois por cento. Enfrentamos logo uma revolução armada instantânea. A falta de coerência destrói qualquer hipótese de planeamento estratégico.

A mecânica que merecia mais atenção era o sistema de lealdade dos ministros. Cada membro do governo tem as suas próprias ambições. Pode tentar um golpe de estado. No papel, isto criaria uma tensão constante. Na prática, basta subornar os ministros. Usamos recursos genéricos a cada poucos turnos para manter a estabilidade. O sistema de subornos é muito simples e repetitivo. Isto anula por completo o perigo de traição.

Mundo e história

O mundo de Pax Autocratica é fictício. As nações vizinhas servem apenas como parceiros comerciais ou ameaças militares genéricas. A narrativa é construída através de relatórios diários de espionagem. Também há eventos aleatórios que surgem no ecrã. Não há personagens marcantes. Não há desenvolvimentos de história interessantes. Tudo se resume a manter as barras de estabilidade e de medo acima de um certo limite. É a única forma de evitar o ecrã de fim de jogo.

Grafismo

O jogo é plano e sem vida na parte visual. A escolha de usar cores quase só cinzentas e castanhas faz sentido. Combina com o tema opressivo. O problema é que cansa rapidamente a vista. Os menus são desorganizados. O texto é demasiado pequeno. Os ícones não ajudam a perceber a função de cada botão.

Som

A banda sonora tem marchas militares repetitivas. Cansam ao fim de dez minutos de jogo. Os efeitos sonoros são muito poucos. Limitam-se ao barulho de carimbos a bater no papel. Também há cliques metálicos ao navegar pelos menus. Isto faz muito pouco para melhorar a atmosfera.

Conclusão

Pax Autocratica falha na tentativa de criar um simulador de ditadura minimamente envolvente. O jogo funciona apenas para quem tem uma paciência infinita. É preciso paciência para decifrar interfaces confusas. Também é preciso gostar de preencher tabelas virtuais. Fazemos isso sem grande feedback visual ou narrativo. Para a maioria dos jogadores, a experiência será apenas frustrante e aborrecida. Isto acontece por causa das reacções sem lógica do sistema. A burocracia sem sentido domina toda a jogabilidade.

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