Lisboa, 3 de setembro de 2026 – Um novo estudo do Instituto Universitário de Lisboa (ISPA) lança luz sobre a relação entre tempo de jogo e vício patológico, concluindo que as horas passadas a jogar não são um sinal confiável de dependência.
A pesquisa, que analisou mais de 1.200 jogadores, demonstrou que o que realmente aumenta a probabilidade de desenvolver um quadro de perturbação de jogo é o sofrimento psicológico e a dificuldade em regular as próprias emoções. Em vez de horas, são os estados afetivos que levam o jogo a ser usado como mecanismo de coping.
Os investigadores compararam o tempo diário dedicado aos videojogos com medidas de ansiedade, depressão e regulação emocional. Os resultados revelaram que, mesmo quando os jogadores dedicavam menos de três horas por dia, a presença de altos níveis de stress e baixa tolerância à frustração já sinalizava risco de comportamento problemático.
Esta descoberta desafia os modelos tradicionais que consideram o “tempo de jogo” como critério principal para diagnosticar perturbação de jogo. A equipa do ISPA defende que a avaliação clínica deve concentrar‑se nos fatores psicológicos subjacentes, em vez de limitar‑se a métricas de tempo.
O estudo também sugere que intervenções focadas na regulação emocional – como terapia cognitivo‑comportamental e técnicas de mindfulness – podem ser mais eficazes na prevenção da dependência do que simples limitações de tempo de jogo. Isto tem implicações para profissionais de saúde mental e para a formulação de políticas públicas relacionadas com o uso de videojogos.
Os resultados foram publicados na edição de 31 de agosto de 2026 do jornal científico da Universidade de Lisboa. O trabalho já está a ser discutido em conferências internacionais de psicologia e game studies, e pode influenciar a revisão dos critérios diagnósticos da perturbação de jogo nas próximas edições do DSM.
O estudo reforça a necessidade de uma abordagem mais holística ao tratar de dependência de videojogos, centrando‑se nas experiências emocionais dos jogadores em vez de apenas no número de horas jogadas.

