Análises

Análise: Ashes of the Damned: The Forgotten Ward

Ashes of the Damned: The Forgotten Ward tenta agarrar o jogador pelo ambiente. Acordamos num hospício abandonado. Está tudo às escuras. Temos uma lanterna fraca na mão. O silêncio é pesado num edifício em ruínas. É uma fórmula clássica do terror de sobrevivência. Costuma resultar. No início, a sensação de isolamento funciona bem. O problema é que esta tensão inicial dura muito pouco tempo. O medo desaparece por completo. Isso acontece logo que percebemos como o jogo funciona por trás dos bastidores.

Jogabilidade

A experiência resume-se a procurar pastas de pacientes. Também procuramos outros objectos coleccionáveis para avançar na história. O grande problema é que os sustos são previsíveis. São totalmente mecânicos. Apanhamos um documento importante e somos logo brindados com uma cena de ataque. A personagem é atacada pelo monstro daquele ficheiro. Acontece sempre da mesma forma. Não há perigo real fora destes momentos programados.

Esta previsibilidade destrói qualquer tensão. A dada altura, é possível caminhar directamente para os monstros. Podemos olhar para eles e não acontece nada. Deixamos de jogar com medo do que está ao virar da esquina. Passamos apenas a limpar as salas de forma sistemática. Fazemos isso para despachar o trabalho.

O jogo promete puzzles. Na verdade só existe uma tarefa deste género. Temos de encontrar uns óculos. Depois temos de recolher nove pedaços de papel. Só assim abrimos um cofre. Estes óculos estão escondidos num canto escuro de um armário. Isto obriga a vasculhar todo o cenário várias vezes. Não há qualquer pista útil. É uma busca artificial. Serve apenas para prolongar a duração da experiência.

Para piorar a situação, o jogo não tem qualquer sistema para guardar o progresso. O jogo é curto. Demora menos de duas horas a terminar. Mesmo assim, a falta de uma opção para guardar obriga a jogar tudo de uma vez. Estamos em 2026. A falta desta funcionalidade básica é difícil de aceitar. É difícil de justificar até para um projecto feito por uma única pessoa.

Mundo e história

A premissa leva-nos a investigar os antigos habitantes do asilo. Fazemos isso através dos relatórios médicos espalhados pelas salas. O cenário inclui os habituais clichés do género. Tem celas de isolamento imundas. Tem salas de cirurgia abandonadas. No entanto, a narrativa não consegue ir além do óbvio. Serve apenas de pretexto para a recolha de objectos.

Grafismo

O aspecto visual remete para a era da PlayStation 2 e início da PlayStation 3. Esta estética retro cinzenta e suja ajuda a criar o ambiente sombrio. O jogo procura esse ambiente. Este é um dos poucos pontos que cumpre o seu papel no início da sessão.

Som

O trabalho de áudio apoia-se nos ruídos típicos de edifícios abandonados. Tenta manter o jogador em alerta. Funciona nas primeiras salas. O som perde o impacto logo que percebemos a verdade. Os perigos só aparecem em momentos predefinidos.

Conclusão

Ashes of the Damned: The Forgotten Ward parece mais uma demonstração de conceito. Não parece um jogo finalizado. Pode agradar a quem procura uma experiência muito curta de terror retro. Serve para quem não se importa com a linearidade extrema. Para a maioria dos jogadores, não há perigo real. Os sustos são previsíveis. Não há um sistema de gravação. Tudo isto torna esta viagem ao hospício num exercício aborrecido e frustrante.

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