Análises

Análise: Birds of War

Há conceitos que são tão absurdos que acabam por despertar imediatamente a curiosidade. Birds of War é precisamente um desses casos. Afinal, quantos jogos nos colocam no controlo de aves de combate cujo principal objetivo é roubar ovos aos adversários? Desenvolvido pela HexNest Games e lançado gratuitamente para PC, o jogo aposta num formato 3v3v3 onde três equipas de três jogadores disputam território, ovos e, inevitavelmente, uma quantidade considerável de pancadaria aérea.

A premissa é simples e o jogo não perde tempo com grandes explicações. Entramos numa partida, escolhemos a nossa ave e partimos para o campo de batalha. O objetivo passa por invadir os ninhos adversários, roubar ovos e regressar em segurança à nossa base, enquanto tentamos impedir que as restantes equipas façam exatamente o mesmo. É uma fórmula suficientemente simples para ser compreendida em poucos segundos, mas que consegue gerar situações bastante caóticas.

Birds of War sabe perfeitamente que não deve ser levado demasiado a sério. A sua força está precisamente nessa atitude descontraída, proporcionando partidas rápidas e divertidas, especialmente quando jogadas com amigos. O problema é que, depois do entusiasmo inicial, começa a surgir uma questão inevitável: haverá conteúdo suficiente para manter este conceito interessante durante muitas horas?

Jogabilidade

A jogabilidade é provavelmente o elemento mais conseguido de Birds of War. O jogo consegue explicar praticamente tudo aquilo que precisamos de saber através dos primeiros minutos de uma partida. Voamos, atacamos, roubamos ovos e tentamos regressar ao nosso ninho sem sermos abatidos pelo caminho. É uma estrutura extremamente acessível e que permite entrar numa partida sem grandes preocupações.

A movimentação aérea é responsável por boa parte do caos. As aves movimentam-se rapidamente pelo cenário e os confrontos podem transformar-se em perseguições improvisadas, emboscadas ou verdadeiras confusões entre várias equipas. Há algo genuinamente divertido em mergulhar sobre um adversário para tentar roubar-lhe um ovo e fugir imediatamente antes de sermos apanhados.

O formato 3v3v3 também funciona particularmente bem. Ao contrário de um tradicional confronto entre duas equipas, aqui existe sempre uma terceira ameaça. Uma equipa que esteja a ganhar pode tornar-se imediatamente no alvo das outras duas, criando uma dinâmica bastante interessante. Mesmo quando estamos a lutar contra um adversário, nunca podemos esquecer que outro jogador pode aparecer pelas costas.

As quatro aves disponíveis também procuram oferecer funções distintas. O Crow assume um papel mais furtivo e ofensivo, enquanto o Hummingbird aposta na velocidade. O Shoebill funciona como tanque, conseguindo absorver uma maior quantidade de dano, e o Pigeon desempenha funções de suporte, incluindo a utilização de um drone de reconhecimento para marcar adversários.

Não existe uma enorme variedade de personagens, mas as diferenças são suficientemente claras para incentivar a experimentação e a composição de equipas. O chat de proximidade é outro pormenor particularmente divertido, permitindo ouvir adversários que estejam próximos. É uma mecânica simples, mas que acrescenta uma dimensão bastante engraçada às emboscadas e confrontos.

Mundo e história

Birds of War não pretende contar uma grande história nem construir um universo complexo. O seu mundo existe essencialmente para servir de palco às batalhas e à premissa absurda que sustenta todo o jogo. Não há aqui uma campanha narrativa ou uma sucessão de acontecimentos destinada a explicar por que razão estas aves decidiram transformar-se em máquinas de guerra.

E, sinceramente, não é algo que faça muita falta. Birds of War funciona melhor precisamente porque não complica a sua proposta. A ideia de aves de diferentes espécies a lutar por ovos é suficientemente absurda para não precisar de uma justificação elaborada.

Os próprios papéis das aves ajudam a dar alguma personalidade ao universo. Temos o assassino furtivo, o tanque, a unidade extremamente rápida e o suporte equipado com tecnologia de reconhecimento. É uma abordagem claramente inspirada nos tradicionais jogos competitivos baseados em classes, mas aplicada a uma premissa deliberadamente disparatada.

O verdadeiro problema encontra-se na falta de variedade. O conceito é interessante, mas o número reduzido de aves e de conteúdos faz com que rapidamente conheçamos aquilo que o jogo tem para oferecer. Num título exclusivamente focado no multiplayer, esta limitação pode tornar-se especialmente importante, já que a longevidade depende bastante da capacidade de apresentar novas experiências aos jogadores.

Grafismo

Visualmente, Birds of War segue a mesma filosofia descontraída presente no resto da experiência. Não procura competir com grandes produções nem apresentar cenários tecnicamente impressionantes. A prioridade está na leitura da ação e na personalidade das diferentes aves.

O design das personagens ajuda a distinguir rapidamente os diferentes papéis durante uma partida. Esta clareza é particularmente importante num jogo tão caótico, onde vários jogadores podem estar a combater simultaneamente e onde é necessário perceber rapidamente quem está à nossa frente e que tipo de ameaça representa.

Os cenários cumprem a sua função, servindo de arenas para os confrontos e para as incursões aos ninhos adversários. Não existe, contudo, uma grande sensação de variedade ou de descoberta. Depois das primeiras partidas, os ambientes tornam-se familiares e deixam de contribuir significativamente para a experiência.

Ainda assim, o estilo visual combina bem com a proposta. Birds of War nunca tenta parecer mais sério ou realista do que aquilo que é. É um jogo colorido, descontraído e assumidamente disparatado, e essa identidade acaba por funcionar a seu favor.

Som

O som acompanha eficazmente o ritmo das partidas. Os efeitos associados aos combates, aos movimentos e às diferentes habilidades ajudam a perceber aquilo que está a acontecer, algo particularmente importante quando o ecrã está cheio de aves a voar e a atacar umas às outras.

No entanto, é o chat de proximidade que acaba por ter maior impacto na componente sonora. Ouvir um adversário antes de o vermos, perceber que está escondido nas proximidades ou simplesmente escutar alguém enquanto se prepara para atacar acrescenta uma camada de imprevisibilidade às partidas.

É também uma das características que melhor demonstra aquilo que Birds of War quer ser. Não pretende criar uma experiência competitiva extremamente séria e calculada. Quer criar momentos inesperados, situações ridículas e histórias que os jogadores acabam por contar depois da partida.

A componente sonora não é, por isso, particularmente memorável do ponto de vista técnico, mas cumpre muito bem a sua função e contribui para o ambiente caótico e descontraído do jogo.

Conclusão

Birds of War é um daqueles jogos difíceis de recomendar sem uma pequena ressalva. Por um lado, a sua premissa é excelente, a jogabilidade é imediata e o formato 3v3v3 funciona surpreendentemente bem. As partidas são rápidas, fáceis de compreender e capazes de proporcionar momentos genuinamente engraçados, sobretudo quando temos amigos ao nosso lado.

Por outro lado, a experiência começa rapidamente a mostrar as suas limitações. Com apenas quatro aves e uma quantidade relativamente reduzida de conteúdo, existe o risco de a novidade desaparecer demasiado depressa. Aquilo que inicialmente parece uma excelente desculpa para passar algumas horas entre gargalhadas pode tornar-se repetitivo quando começamos a conhecer demasiado bem as possibilidades disponíveis.

O facto de ser gratuito joga claramente a seu favor. Não existe uma barreira financeira para experimentar Birds of War e perceber se a sua proposta encaixa no nosso gosto. Para algumas partidas rápidas, é uma experiência bastante divertida e uma boa alternativa para quem procura algo diferente dentro do panorama multiplayer.

O grande desafio estará agora no futuro. Se a HexNest Games conseguir aumentar regularmente o número de aves, mapas, modos e outras possibilidades, Birds of War poderá transformar uma boa ideia num multiplayer com capacidade para permanecer relevante durante bastante tempo. Se isso não acontecer, existe o risco de o ninho ficar rapidamente vazio.

Para já, Birds of War é uma experiência pequena, caótica e surpreendentemente divertida. Não é um jogo que queira revolucionar o género, mas também não precisa de o fazer. Basta juntar nove aves, alguns ovos, armas e uma boa dose de confusão. Durante algumas partidas, a fórmula funciona bastante bem. O problema é descobrir se haverá razões suficientes para continuar a voltar depois de a piada inicial perder algum do seu impacto.

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