Análises

Análise: Darkest Dungeon – The Fire’s Edge

Há qualquer coisa de irónico em ver a Red Hook Studios regressar ao primeiro Darkest Dungeon para ir buscar personagens da sequela. The Fires Edge tenta dar uma nova vida ao clássico através de duas classes conhecidas, mas a transição traz consigo um conjunto de mecânicas que parecem ignorar a delicada balança de sobrevivência que tornou o jogo original tão marcante.

Jogabilidade

A grande atracção desta expansão é a introdução da Duelist e da Runaway. A Duelist apresenta-se como uma combatente complexa que dança entre as posições da equipa. Consegue manter a capacidade de contra-ataque activa enquanto alterna livremente entre as posturas defensiva e agressiva. Tem acesso a todas as habilidades em simultâneo, o que a torna ridiculamente versátil. O problema é que esta versatilidade roça o exagero. Com habilidades que aumentam a esquiva para valores absurdos, capacidade de causar danos massivos e facilidade em corrigir o posicionamento do grupo, ela rapidamente se torna uma solução fácil para quase todos os problemas, quebrando a tensão habitual do jogo.

Já a Runaway foca-se inteiramente na nova mecânica de queimadura. Funciona como um causador de dano contínuo, óptimo para equipas que abusem de atordoamentos e reposicionamento de inimigos. Contudo, a ausência de um atributo de resistência ao fogo nos adversários faz com que esta personagem aplique o efeito sem qualquer margem de erro ou factor de sorte. Sem algumas das suas habilidades utilitárias da sequela, o seu estilo de jogo torna-se rapidamente repetitivo, resumindo-se a ver os inimigos arder sem grande planeamento táctico.

O maior foco de frustração reside no novo sistema de acessórios. A ideia de introduzir objectos com durabilidade limitada e cargas parecia interessante no papel para agitar as fases iniciais. No entanto, misturar estes itens descartáveis na tabela de recompensas de chefes avançados é um erro crasso de design. Num jogo onde o tempo e os recursos são medidos ao milímetro, receber um acessório temporário em vez de uma melhoria permanente e essencial para o fim do jogo destrói qualquer planeamento a longo prazo.

Mundo e história

As duas novas almas perdidas integram-se na estrada antiga e trazem consigo três novos distritos para o acampamento: Academie Duello, Craftworks e Archaeological Base Camp. Embora estas adições ajudem a expandir a infraestrutura da herdade, o impacto narrativo é mínimo. O ambiente opressivo continua lá, mas a presença de personagens tão poderosas belisca a atmosfera de desespero original.

Grafismo

Visualmente, as personagens foram adaptadas com eficácia ao estilo bidimensional do jogo original. Os efeitos visuais das chamas da Runaway dão uma cor diferente aos combates nas masmorras. Ainda assim, nota-se que estas adições parecem ligeiramente deslocadas do trabalho artístico original, quase como modificações criadas por utilizadores externos e integradas à pressa no jogo base.

Som

O trabalho sonoro cumpre o seu papel ao ilustrar os novos ataques e o crepitar do fogo. No entanto, a mistura de som das novas personagens não se enquadra perfeitamente na produção do conteúdo original, criando momentos em que o áudio das novas habilidades soa desligado do resto do ambiente sonoro da masmorra.

Conclusão

Darkest Dungeon: The Fires Edge é uma expansão difícil de recomendar. Funciona apenas para os fanáticos que queiram desesperadamente apoiar o estúdio ou experimentar estas classes num formato diferente. Para a maioria dos jogadores, o conteúdo é demasiado escasso para o preço pedido, as novas mecânicas de acessórios estragam a progressão natural da campanha e o facilitismo das novas personagens destrói o equilíbrio tenso que tornou o jogo original num clássico de culto.

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