Análises

Análise: Deified

Gerir a tensão antes de dar um único golpe é onde este combate ganha vida. Escolher um artefacto ou tentar outra sorte na lista faz barulho. Se passarmos da conta, perdemos a hipótese de fugir sem combater.

É uma ideia simples que muda a forma como olhamos para a preparação. Nem sempre vale a pena arriscar tudo por mais um poder se isso nos obrigar a entrar num combate com a vida no limite.

Jogabilidade

Quando entramos no terreno, o combate por turnos exige atenção constante. Sator pode usar quatro armas base, mas o verdadeiro peso das escolhas surge na forma como combinamos os artefactos e os espaços de acção.

Não basta encontrar poderes fortes. É preciso gerir as afinidades entre eles e escolher que tipo de melhoria queremos para cada novo espaço que abrimos. Cada opção traz uma vantagem clara e uma fraqueza directa.

Subir o nível de uma invocação ou garantir uma armadura que absorve um golpe por turno parece trivial no início. No entanto, colocar a personagem num ponto do mapa que obriga um inimigo a pisar uma armadilha enquanto ataca o nosso monstro é o tipo de decisão que resolve encontros complicados.

O problema surge quando batemos contra os chefes. A curva de dificuldade salta sem grande aviso. Cada chefe quebra as regras normais do jogo com mecânicas próprias e exige combinações de artefactos muito específicas para ser derrotado.

Para chegar lá com força suficiente, o jogo obriga a repetir viagens e a acumular obolos lentamente na acampamento. Essa progressão permanente é bastante avarenta. A necessidade de juntar recursos obriga a fazer várias tentativas consecutivas sem grande sentimento de avanço, o que desgasta o interesse nos combates mais rotineiros.

Mundo e história

A premissa coloca-nos no papel de Sator, um aventureiro focado em recuperar o Ouro do Reno roubado por Senhores corruptos. Este tesouro foi transformado em artefactos e escondido num grande templo no deserto.

A história vai surgindo aos poucos durante a exploração do mapa hexagonal, com o narrador a intervir no texto para apresentar novos alvos. Cumpre o seu papel sem roubar o protagonismo à acção táctica.

Grafismo

O estilo visual combina bem o tema do deserto com o desenho das criaturas. A apresentação das capacidades nos ícones dos artefactos é clara e ajuda a ler o jogo rapidamente.

É possível aproximar a câmara para ver o detalhe das acções, mas a visão afastada é muito mais útil para analisar o terreno e os perigos do cenário. O ponto mais fraco no plano visual é mesmo o aspeto dos chefes, que fica abaixo da variedade dos inimigos comuns.

Som

O trabalho sonoro é contido. Não existe dobragem nas falas e a banda sonora, embora adequada ao ambiente de fantasia e deserto, acaba por ter poucos temas para a quantidade de horas necessária.

Os efeitos do impacto das armas não têm a força necessária. O resultado final da componente sonora fica aquém do resto do conjunto.

Conclusão

Deified funciona muito bem para quem procura um jogo de estratégia por turnos exigente, onde a montagem da personagem e o cálculo de risco em cada nó do mapa fazem a diferença.

Não serve para quem não tem paciência para uma progressão lenta baseada na acumulação repetitiva de recursos. O excelente sistema de combate e a gestão de artefactos sustentam a experiência, mas a obrigatoriedade de repetir combates para evoluir a personagem pode afastar quem procura um avanço mais fluido.

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