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Análise: Delverium

A promessa de jogar como se quer costuma ser treta na maioria dos jogos de sobrevivência. Há quase sempre uma barra de fome a apertar o pescoço. Ou há um recurso preso atrás de um chefe que ninguém quer enfrentar. Delverium faz o inverso. Dá a liberdade real de ignorar metade do jogo. E não bloqueia o caminho a ninguém.

Se a ideia for passar muitas horas a cuidar da horta, o jogo deixa. Dá para pescar e cozinhar. Se a ideia for ignorar a quinta e ir direto para as masmorras recolher tesouros, o caminho está aberto. Ninguém é obrigado a plantar para explorar. Ninguém tem de lutar para ter a sua vila. Esta liberdade muda tudo na forma de jogar em grupo.

Jogabilidade

O grande trunfo está na forma como o jogo trata o espaço e a criação de coisas. O inventário cresce. O sistema de produção junta tudo. Isto acaba com a seca de saltar de baú em baú só para achar um lingote de ferro. São estes detalhes que separam um jogo divertido de um trabalho chato.

Juntar oito pessoas na internet funciona bem. Mas a surpresa real é o ecrã dividido para quatro pessoas na mesma televisão. A maioria destes jogos acabou com o jogo de sofá há anos. Ter quatro pessoas no mesmo ecrã a dividir tarefas dá uma vida completamente diferente.

Uns tratam dos animais. Outros trazem comerciantes para a vila. Ao mesmo tempo, há quem vá para as grutas enfrentar perigos no fundo da terra. A ajuda acontece sem pensar. O progresso de cada um ajuda o grupo todo. Ninguém sente que está a fazer tarefas por obrigação.

O problema é que há muitos jogos de sobrevivência no mercado. Têm quase todos agricultura, construção e exploração. O Delverium não inventa nada de novo. Aposta tudo no conforto. Usa ideias que já conhecemos de forma simples e limpa. Falta saber se isso chega para durar muito tempo. Só o tempo e as melhorias do acesso antecipado vão mostrar isso.

Mundo e história

Há um mal a estragar a terra. Há pedaços de história para achar pelo caminho. É a desculpa normal para nos meter a andar por zonas diferentes. Serve para ir atrás das chamadas Falhas. Ajuda quem precisa de um ponto final claro. Mas não chateia quem só quer fazer a sua base em paz.

Grafismo

O mundo muda a cada jogo e faz o que precisa. Não é um jogo lindo de morrer. Os cenários funcionam bem e dão para perceber logo. Isso é vital quando há muita confusão ou quando o ecrã está partido em quatro.

Som

O som acompanha o jogo de forma calma. Faz o trabalho certo para dar ambiente quando se anda a passear. Dá força aos combates nas grutas. E nunca chateia quando se passa muito tempo a trabalhar na horta.

Conclusão

Delverium é bom para grupos de amigos e famílias. Serve para quem quer um jogo de sobrevivência calmo e sem pressas. Funciona muito bem para quem tem saudades de jogar com quatro pessoas na mesma sala. Quem quer um combate fundo ou uma ideia nunca vista não vai achar nada disso aqui. Vale pelo jogo em grupo generoso e por respeitar o tempo de quem joga.

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