Donutal mete-nos a interrogar extraterrestres. Não temos de carimbar papelada burocrática. É uma troca de papéis que promete tensão. O foco devia ser a observação. Mas o jogo afasta-se depressa do suspense. Acaba por ser uma aventura de ler mais leve.
Jogabilidade
O jogo é feito de conversas. Temos de tomar decisões sob pressão. O jogo tenta criar tensão com um relógio a contar o tempo nas entrevistas. O problema é que esta urgência não é real. Se falharmos, ou se o tempo acabar, não faz mal. Basta recarregar a conversa. O relógio começa do zero outra vez. Esta falha de design tira o peso todo às nossas decisões rápidas.
Há uma tensão moral aqui. Ficamos divididos entre a resposta lógica e a resposta moralmente correcta. Isto devia ser o motor do jogo. Às vezes funciona bem. Ficamos divididos entre o dever e a empatia. Mas os puzzles têm soluções demasiado específicas. Não usamos a lógica para resolver os problemas. Em vez disso, temos de adivinhar o que os produtores queriam. Isto quebra o ritmo do jogo. O processo de descoberta passa a ser só tentativa e erro.
A curva de aprendizagem é muito fácil. Qualquer pessoa percebe como tudo funciona em poucos minutos. Falta só aquela camada de profundidade. É isso que transformaria estes interrogatórios simples num desafio a sério.

Mundo e história
A escrita é boa. Consegue saltar entre a comédia leve e temas mais pesados de forma natural. O mistério central ajuda a ligar os vários finais. Dá uma boa razão para jogar outra vez. Mesmo assim, as histórias de cada um sabem a pouco. O lado cultural destas raças de fora é muito superficial. Ficamos a achar que as nossas escolhas podiam mudar mais o destino destas personagens.
Grafismo
A parte visual é o ponto mais forte de todos. A arte é colorida e tem muita identidade. Os alienígenas são expressivos e cómicos. Eles têm muito carisma. É impossível não gostar do aspecto destes visitantes.

Som
A música acompanha bem o tom de cada cena. Ajuda a criar o mistério nos momentos mais calmos. Quando o jogo tenta mostrar emergências, a música fica mais rápida. Ela consegue criar a urgência que falta na jogabilidade.
Conclusão
Donutal é uma visual novel curta e bonita. Apoia-se muito no carisma visual das personagens. Funciona muito bem para quem quer uma história interactiva leve. É rápida e não tem grandes problemas de lógica. Não vai agradar a quem quer mecânicas de interrogatório profundas. Também não serve para quem quer puzzles difíceis. É uma experiência simpática para uma tarde calma, mas não aproveita todo o potencial da ideia inicial.

