Caminhar de volta a casa depois de uma noite de excessos não devia ser um desporto de equipa. No entanto, Friendly Steps faz questão de transformar essa premissa simples num dos exercícios de coordenação mais absurdos dos últimos tempos. O género dos jogos parvos para jogar em grupo está saturado, mas este título consegue encontrar um espaço próprio com uma rasteira mecânica muito simples.
Jogabilidade
O jogo assenta em duas contrariedades principais. A primeira é o controlo das pernas. Controlas cada perna individualmente, com um botão para a esquerda e outro para a direita. O equilíbrio, o balanço e a direção dependem inteiramente do ritmo que consegues impor. Não há cá automatismos. Se falhas o ritmo, cais. O jogo desafia-te a tropeçar para a frente ou, em caso de desespero, a rastejar pelo chão. Isto transforma uma ação banal como andar numa habilidade que tens de reaprender do zero.
A segunda contrariedade, e aquela que realmente muda as contas do jogo, é a corda. Podem jogar até quatro pessoas, todas amarradas umas às outras. O que a solo seria um teste de destreza individual, em grupo torna-se um pesadelo de coordenação. Se um jogador cai de uma ponte, arrasta o grupo inteiro.
Na prática, qualquer pequena rampa, escada ou passeio passa a ser um problema de estado. A equipa tem de discutir quando avançar, quem passa primeiro e quem se sacrifica para segurar os outros. O resultado desta combinação não é apenas a soma das partes, é consideravelmente pior e muito mais caótico.

Mundo e história
O percurso de regresso a casa não é um corredor linear. A cidade está cheia de colinas, escadas, pontes, parques e atalhos duvidosos. Há missões secundárias, objetos para apanhar, caminhos escondidos e personagens estranhas que só encontras a horas impróprias. Isto significa que duas sessões de jogo não precisam de seguir o mesmo trajeto.
Para lá do ambiente urbano, existem cenários mais bizarros. Há um mapa vertical com um tornado onde um deslize te manda de volta ao início, e um nível alucinatório com um chão que se derrete e garrafas de cerveja a voar. O jogo assume sem vergonha que quer ser uma sucessão de situações absurdas em vez de um simulador realista.
Grafismo
O aspeto visual serve o propósito humorístico sem exigir demasiado do sistema. O jogo corre bem em computadores mais antigos, o que facilita a vida quando queres jogar com aquele amigo que não atualiza a máquina há anos. Há opções de personalização para vestir as personagens de bombeiro, polícia, punk ou trabalhador de escritório, alimentando o tom ridículo da experiência.

Som
O trabalho de som acompanha a parvoíce geral das situações. O jogo inclui conversação por voz integrada, o que é essencial para coordenar os passos ou, mais frequentemente, para distribuir culpas quando alguém puxa a corda antes do tempo.
Conclusão
Friendly Steps não inventa a roda, mas a adição da corda a um sistema de locomoção desajeitado é suficiente para criar uma experiência muito divertida. A solo o jogo perde todo o interesse, pelo que não é de todo recomendado para quem joga sozinho.
Funciona na perfeição para grupos de quatro amigos dispostos a discutir por causa de um degrau. Se o jogo vai durar além da primeira noite, isso dependerá mais da vossa paciência para a repetição e da qualidade dos vossos amigos do que propriamente das mecânicas do jogo.

