Atirar um jogador para uma casa escura com uma lanterna na mão devia assustar. Devia criar algum desconforto. Não é o caso aqui. A ideia de sobrevivência perde a força nos primeiros minutos. Falta um perigo real no jogo.
A exploração passa a ser uma rotina aborrecida. É um processo rápido. Não há uma ameaça constante a pressionar o chão. Não há preciso gerir recursos. O ritmo fica vazio. O medo sai e entra o desinteresse.
Jogabilidade
O jogo só pede para andar por corredores e procurar chaves. A navegação funciona bem. No entanto, não há urgência no que se faz. Não há penalização quando se erra.
As formas de interagir são muito simples. O jogador abre portas, apanha coisas e evita contactos raros. Tudo se resume a carregar num botão no ponto certo. Os movimentos não têm peso. Os objectivos não são claros.
Não há sistemas de combate. Não há mecânicas de esconder que sejam mais fundas. A falta disto deixa o jogador sem ferramentas boas. As tarefas repetem-se sempre. O jogo devia ser tenso, mas vira um passeio que se adivinha do fim ao princípio.

Mundo e história
A história quase não existe. A explicação do mundo fica-se por notas no chão. Estão espalhadas pelo cenário. Mudam muito pouco a experiência.
Os cenários tentam mostrar um filme de terror clássico. A ideia falha porque o desenho dos níveis é comum. Faltam pontos marcantes. Faltam sítios que dêem uma identidade própria ao jogo.
Grafismo
A parte visual é simples. Não tem grandes pormenores. A luz tenta tapar as imagens fracas das paredes. Só consegue pôr algumas zonas difíceis de ver.
As casas e os objectos repetem-se muitas vezes. Os movimentos de pessoas ou coisas são raros. Quando aparecem, são duros. Tiram a pouca verdade que o jogo tinha.

Som
O jogo usa sons batidos para dar sustos fáceis. O barulho dos passos faz o seu papel. As portas a ranger também. Mesmo assim, a mistura do som é má.
A música entra de vez em quando. Aparece sem regra nenhuma. Não consegue acompanhar aquilo que se passa no ecrã.
Conclusão
Halloween: The Game não ganha espaço no seu género. Não tem regras de jogo fortes. Não tem tensão verdadeira. A experiência esquece-se com facilidade.
Pode dar para quem quer um jogo de terror muito curto. Serve a quem não quer exigência nenhuma. Quem quer um desafio a sério para sobreviver deve passar ao lado. Quem quer um clima bem feito também deve procurar outro jogo.

