Mexer em gavetas dos outros e ler cartas privadas continua a ser o melhor de Lost & Found: A This Bed We Made Story. A Lowbirth Games volta ao mesmo hotel dos anos 50. Vem dar mais uns quantos segredos dos hóspedes. A ideia é simples e directa. Somos uma camareira com tempo a mais e pouca vergonha na cara.
Sabe bem encontrar um fundo falso num armário. O jogo percebe a vontade de cuscar. Gostamos de entrar num quarto vazio. Gostamos de montar a vida de alguém só pelos objectos deixados para trás.
Jogabilidade
Ver as malas dos clientes e juntar pistas é a base de tudo. Mexemos em papéis. Abrimos caixas fechadas. Tentamos perceber como as pessoas do hotel se dão.
O problema é que tudo se resolve rápido. Os puzzles são muito simples. Quase não pedem cabeça. A ideia de ser um detective de verdade foge rápido. As respostas estão quase todas à vista de todos.
Pior do que ser fácil é a falta de peso das escolhas. Mexer nas coisas alheias devia dar medo de ser apanhado. Mas essa tensão quase nunca aparece. Guardamos segredos sem o jogo nos castigar. Também não nos pede cuidado nenhum.
Esta falta de consequências faz da investigação um trabalho mecânico. Limpamos o quarto. Lemos os papéis. Descobrimos o segredo. Passamos para o quarto a seguir sem sobressaltos.

Mundo e história
A história olha para os pequenos dramas das pessoas do hotel. Há zangas de família. Há amores proibidos. Há segredos de negócios bem guardados.
A escrita prende o interesse. Dá força a pessoas que nunca vemos em pé. Mas o jogo é muito curto. A história acaba logo quando começava a apanhar balanço.
Grafismo
O estilo dos anos 50 está muito bem feito. Os quartos do hotel têm muitos pormenores nas coisas do dia a dia. Vê-se isso nas cartas e nas garrafas de bebida.

Som
O som ajuda a criar uma casa calma e com mistério. A voz dos actores faz um bom trabalho. Dá força às gravações de áudio e às falas.
Conclusão
Lost & Found serve para quem gostou do primeiro jogo. Serve para quem quer só mais uma hora de investigação calma no mesmo sítio. Não serve para quem quer desafios duros. Não serve para quem quer escolhas com peso. É uma ideia engraçada. Mas é curta demais e não tem a tensão que devia ter.

