MONOWAVE tenta fazer algo diferente com o som. O jogo coloca-nos na pele de um pequeno ser feito de ondas sonoras. Ele precisa de devolver a harmonia a um mundo partido. Para isso, usa frequências para mudar o estado de espírito das criaturas. A premissa é forte. Não usamos força nem chaves para resolver problemas. Usamos notas para alterar a atitude de quem encontramos.
A ideia tem piada nas primeiras vezes. Podemos tocar uma frequência para acalmar um habitante irritado. Podemos dar coragem a outro que está cheio de medo. Isso abre caminhos que pareciam fechados. O problema é que o conceito perde a força muito rápido.
Jogabilidade
Mudar as emoções dos outros pelo som é a mecânica principal. Cada onda é um sentimento diferente. Cada onda provoca reacções distintas nos cenários e nos habitantes. Uma frequência de alegria faz uma plataforma subir. O medo faz uma criatura fugir e abre uma passagem.
Tudo isto parece muito bem no papel. Na prática, a execução falha no ritmo. A escolha das ondas sonoras é trapalhona. Isso corta a fluidez. O jogo devia parecer natural e melódico. Em muitos momentos, ficamos parados. Tentamos acertar na nota certa. Depois vemos uma animação lenta a repetir-se.
O controlo do protagonista também não ajuda. Ele é feito de som. Mesmo assim, os saltos pedem muita precisão. Mas a movimentação nem sempre responde bem. Falhar um salto porque o comando flutua tira a paciência toda.
Os enigmas raramente dão trabalho. Só pedem para achar a cor ou a emoção certa. Depois aplicamos essa emoção no sítio certo. Faltam ideias que misturem estas acções de forma inteligente.

Mundo e história
A história é simples e não gasta palavras. O mundo está partido ao meio. O objectivo é colar as pontes entre as zonas e os habitantes através da música.
Há uma intenção bonita nesta viagem. O problema é que a ligação com as criaturas é fraca. Mudar a emoção de um ser para ele sair da frente não cria uma relação real. Serve só para andar para a frente no cenário.
Grafismo
O estilo visual é limpo. Usa muitas cores para mostrar as emoções no ecrã. Dá para ver logo o que cada zona faz. O ambiente ganha vida quando as frequências mudam a paisagem.
Mesmo assim, o estilo simples às vezes parece desleixo. Os cenários repetem as mesmas coisas muitas vezes. As animações das criaturas também são muito curtas.

Som
O jogo é sobre música. Por isso, o som tinha de ser bom. A banda sonora faz o seu trabalho. Ela muda bem quando mudamos o tom e a emoção do mundo.
O som das ondas tem força. Mas ouvir as mesmas notas a repetir nos enigmas cansa depressa.
Conclusão
MONOWAVE tem uma boa ideia no centro. Mudar as emoções pelo som em vez de dar tiros ou saltar é um caminho bonito.
Recomendo o jogo a quem quer uma coisa curta e calma para os olhos, sem pedir muito à cabeça. Não recomendo a quem quer saltos certos ou enigmas fundos. A ideia principal merecia outro cuidado.

