Análises

Análise: Reality Break – Ship Types

Reality Break sempre viveu do seu ciclo de evolução. A chegada deste DLC Ship Types mostra que a ambição de expandir o jogo traz um preço alto. Esse preço paga-se em paciência. O conteúdo promete dar mais vida ao espaço. No entanto, a estrutura escolhida para dar as novidades acaba por prender o jogador numa rotina. Essa rotina cansa mais depressa do que devia.

Jogabilidade

A grande atracção deste conteúdo é a introdução de novas naves. Podemos construir estas naves através de esquemas. Cada uma destas naves tem atributos próprios. Têm vantagens e desvantagens claras. Estas diferenças mudam a forma como fazemos os combates. O jogo dá a primeira nave de forma gratuita. Isso ajuda a entrar no ritmo. O problema surge quando queremos construir as seguintes.

O processo de fabrico é incrivelmente caro. Exige milhares de materiais. Exige milhões de créditos e centenas de Fate Sparks. Isto obriga a um trabalho de recolha intenso. Para ajudar na tarefa, temos os novos Ship Augments. Esta árvore de habilidades especial dá um poder de destruição enorme. É ideal para deitar abaixo alvos gigantescos. Estes alvos antes pareciam impossíveis. O lado mau é que estes melhoramentos mudam de forma aleatória. Isso acontece sempre que a personagem morre. O azar destrói qualquer plano a longo prazo.

O verdadeiro obstáculo à diversão está no sistema de progressão geral. O jogador decide fazer um Break para evoluir a personagem principal. Quando faz isso, o progresso da história do DLC é limpo. Fica a zeros. Isto obriga a repetir toda a linha de missões secundárias do DLC. Ter de refazer o mesmo caminho vezes sem conta para chegar ao conteúdo avançado é mau. Transforma o que devia ser divertido num trabalho repetitivo.

Mundo e história

A narrativa do DLC serve apenas como desculpa. Serve para introduzir os novos mapas e os sistemas de alerta dinâmicos. Estes sistemas aumentam o risco das missões. Por outro lado, também melhoram as recompensas. Infelizmente, a estrutura rígida da história não tem atalhos. Somos obrigados a passar pelos mesmos diálogos. Temos de fazer os mesmos objectivos a cada redefinição de realidade. Isto retira qualquer impacto que a viagem pudesse ter.

Grafismo

As novas naves apresentam designs interessantes. Elas distinguem-se bem no ecrã. Os novos sectores espaciais mantêm a identidade visual do jogo original. Não há grandes surpresas, mas o visual funciona bem para mostrar os perigos dinâmicos.

Som

O trabalho sonoro cumpre o seu papel. Os efeitos de armas e explosões continuam a dar o peso necessário aos combates no espaço. Ainda assim, não há faixas ou efeitos novos que se destaquem na experiência geral.

Conclusão

Este DLC funciona muito bem para quem já adora o ciclo básico de Reality Break. Dá mais desculpas para continuar a jogar. As novas naves e a personalização tática justificam o regresso ao espaço. O jogo não vai funcionar para quem tem pouca tolerância ao grind extremo. Também não serve para quem se irrita com a repetição obrigatória de missões de história. O conteúdo é bom. O problema é que o caminho para chegar até ele exige mais paciência do que devia.

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