Repterra não esconde a sua inspiração. A premissa é construir uma colónia e defendê-la de dezenas de milhares de criaturas. Isto lembra logo o jogo They Are Billions. Mas aqui não há mortos-vivos. Enfrentamos hordas de dinossauros. Podia ser só uma cópia sem alma. Mas revela-se uma evolução inteligente. Tudo graças a mecânicas de ecologia militar que mudam a forma como defendemos a nossa base.
Jogabilidade
A grande diferença de Repterra está na forma como lidamos com a ameaça. Não nos limitamos a erguer muralhas e a esperar pelo embate. A mecânica de domesticação permite atrair os dinossauros inimigos com comida ou iscos. Depois de estarem domesticados, estes animais passam a lutar do nosso lado. Isto transforma a horda que nos cerca num recurso valioso para o nosso exército.
O sistema fica mais profundo com a criação genética. Colocamos um par de dinossauros numa estação de reprodução. Isto gera filhos que podem sofrer mutações úteis. Não estamos só a fazer soldados normais. Estamos a criar novas espécies com características únicas. Para fechar este ciclo, podemos pôr humanos a montar estas criaturas. Podem ser soldados ou engenheiros. Cada par de humano e dinossauro dá habilidades especiais. Isto traz muita força tática aos combates.
A pressão em Repterra é contínua. É o oposto do jogo em que se inspira. Não há aqueles longos tempos de calmaria onde nada acontece. Pequenos grupos de dinossauros atacam sempre as nossas defesas. Eles procuram de forma inteligente os pontos fracos do muro. Se houver uma falha, eles entram. Por causa disso, as muralhas servem para alguma coisa durante todo o tempo.
O jogo também respeita mais o tempo de quem joga. O modo Ironman apaga horas de jogo por causa de um erro. Aqui esse modo é opcional. Podemos gravar o jogo de forma normal. Isto torna o jogo muito mais fácil para quem está a começar. Mas não afasta os veteranos. Quem quer o desafio máximo tem multiplicadores de pontuação.

Mundo e história
A história parece um filme de ficção científica simples. Em 1963, uns exploradores descobrem uma ilha no Oceano Índico. Ela estava isolada por uma força magnética. Lá dentro ainda vivem dinossauros do Triássico. O caos começa quando chegam caçadores furtivos. É uma história simples. Serve muito bem de desculpa para a ação e não se tenta levar muito a sério.
Há três fações para escolher e elas dão variedade ao mundo. Cada uma tem as suas unidades. Têm bónus próprios e heróis que podem sofrer mutações genéticas. Isto dá vontade de jogar outra vez com ideias diferentes. Podemos focar na tecnologia, na gestão de recursos ou no combate bruto.
Grafismo
O aspeto visual divide opiniões. A imagem faz lembrar clássicos como Red Alert 2. Para uns, este estilo traz um charme antigo muito agradável. Para outros, parece apenas uma falta de personalidade. O mercado já tem muitos jogos com este aspeto.

Som
O som faz o seu trabalho muito bem. Há dezenas de milhares de dinossauros a correr contra as nossas defesas. O barulho desse caos é forte e deixa o jogador sempre em alerta.
Conclusão
Repterra é uma excelente surpresa. Vai muito além de ser uma cópia. O jogo funciona muito bem para os veteranos do género. Eles vão gostar da domesticação e da reprodução genética. Também é um ponto de entrada muito bom para novatos. Isto acontece porque o modo Ironman não é obrigatório. Por outro lado, o jogo falha para quem quer ganhar coisas entre partidas. O jogo está em acesso inicial. A falta de uma campanha ou de evolução entre jogos é o seu maior limite agora. Mesmo assim, a jogabilidade tática compensa bem esta falta.

