Análises

Análise: Rogue Eclipse

Rogue Eclipse entra directo ao assunto com batalhas espaciais frenéticas. O problema é que o entusiasmo inicial desaparece logo após as primeiras investidas. O jogo tenta agarrar-nos com uma estrutura de tentativas repetidas. No entanto, falha porque não dá motivos suficientes para querermos voltar ao cockpit.

Jogabilidade

A acção vive de destruir naves inimigas em arenas muito pequenas. O ciclo é sempre o mesmo. Chegamos a uma zona e eliminamos duas a cinco naves principais. Depois, limpamos os sobreviventes. Por fim, avançamos para o sector seguinte. Perto do fim de cada tentativa surge uma nave gigante. Ela exige destruir partes específicas antes de cair. Fora isso, passamos a maior parte do tempo a voar em círculos no mesmo espaço reduzido.

A mecânica mais interessante é o sistema de atalhos. Se o jogador morrer no sector cinco, não precisa de repetir tudo desde o início na tentativa seguinte. O jogo permite saltar directamente para o sector onde fomos derrotados. Para isso, basta cumprir apenas a primeira zona. É uma óptima ideia para poupar tempo. Mas traz um dilema táctico pesado.

Ao saltar sectores, perdemos as melhorias oferecidas no final de cada zona. Estas melhorias surgem em grupos de três opções aleatórias. Elas são vitais para enfrentar a crescente quantidade de inimigos. Abdicar delas para poupar tempo é um risco enorme. Esta dinâmica de risco e recompensa funciona muito bem.

Infelizmente, a personalização da nave fora das partidas é fraca. Não há melhorias permanentes que nos tornam mais fortes. Em vez disso, apenas ajustamos a configuração da nave. Se queremos mais poder de fogo, perdemos velocidade ou manobrabilidade. Não há uma evolução real. Há apenas uma troca de atributos que sabe a pouco.

Mundo e história

A narrativa existe, mas é incapaz de prender a atenção. O jogo exige que completemos várias tentativas para desbloquear a totalidade do enredo. Contudo, a repetição constante torna essa tarefa um sacrifício. Os cenários mudam de forma aleatória. Mas existem tão poucas variantes que rapidamente sentimos que estamos a ver sempre as mesmas paisagens espaciais.

Grafismo

O aspecto visual cumpre o papel de nos situar no espaço. Mas a reduzida dimensão das arenas limita o impacto dos cenários. A falta de variedade estética nas zonas e nos modelos das naves inimigas acentua a sensação de que estamos perante um projecto a meio gás.

Som

Os efeitos sonoros acompanham o ritmo frenético dos tiros e das explosões. Ainda assim, a banda sonora e o ambiente de áudio sofrem do mesmo mal do resto do pacote. Tornam-se repetitivos ao fim de poucas horas de jogo.

Conclusão

No estado actual, Rogue Eclipse parece mais uma demonstração de conceito do que um jogo completo. O sistema de atalhos e a escolha de melhorias mostram potencial. Mas a falta de variedade de missões, inimigos e cenários arruina a experiência. Não se recomenda a quem procura um roguelike a sério ou uma campanha espacial minimamente cativante. Pode apenas servir para quem quer dar uns tiros rápidos sem pensar muito no progresso.

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