Análises

Análise: Stackmon

Stackmon entra num terreno perigoso. Tenta juntar dois conceitos que raramente se cruzam. Estes conceitos são a colecção de criaturas e a física pura de empilhar objectos. A ideia de usar monstros com formas bizarras para construir torres parece boa. Parece uma lufada de ar fresco num género habituado a combates por turnos tradicionais. No entanto, a realidade do comando na mão revela outra coisa. A gravidade é um adversário muito mais implacável do que qualquer criatura rival.

Jogabilidade

A grande mecânica de Stackmon é o equilíbrio. O jogador precisa de capturar estas criaturas. Depois, em vez de as enviar para uma arena de combate clássica, tem de as empilhar com precisão. Cada monstro tem o seu próprio peso. Tem o seu formato e as suas propriedades físicas. Uns são redondos e escorregadios. Outros têm arestas que ajudam a prender a estrutura. Há ainda os que reagem de forma violenta ao toque.

Esta variedade física é a característica mais interessante do jogo. É preciso planear a base da torre com monstros mais pesados. Depois, deixamos os mais leves para o topo. Isto exige algum raciocínio rápido. O problema é que a física do jogo é sensível demais. Um milímetro para o lado e toda a estrutura desaba. Desaba sem grande explicação lógica. Isto transforma o jogo. Devia ser um desafio de perícia. Passa a ser uma sessão de tentativa e erro que dá muita frustração.

O sistema de captura também sofre com esta falta de polimento. Lançar as armadilhas cria momentos de pânico. Tentar posicionar os monstros capturados em tempo real também ajuda a esse pânico. Nem sempre o pânico é divertido. Muitas vezes, a câmara não ajuda a perceber a profundidade. Isso leva a quedas absurdas de criaturas. Criaturas que pareciam estar bem seguras caem do nada. O jogo falha porque não dá ao jogador o controlo absoluto. Esse controlo era preciso para lidar com uma física tão punitiva.

Mundo e história

O mundo serve apenas como um pano de fundo funcional. Serve para justificar a presença destas criaturas. Viajamos por diferentes biomas para encontrar espécies novas. Mas não há aqui uma narrativa forte. Não há uma história que cative. O foco está todo na progressão mecânica. O foco é encontrar, capturar e empilhar.

Grafismo

No visual, o jogo escolhe um estilo simples e colorido. Os monstros são expressivos. São fáceis de identificar pelo formato. Isso é essencial para perceber rapidamente como vão encaixar na torre. Ainda assim, os cenários falham porque têm pouca variedade. Falta-lhes detalhe. Por vezes parecem arenas de teste vazias.

Som

A banda sonora acompanha o tom leve do jogo. Tem efeitos sonoros engraçados para as reacções dos monstros. Ouvimos sons quando são esmagados ou quando caem da torre. Não é uma música que fique na cabeça. Mas cumpre o papel de reduzir a tensão. Ajuda quando vemos o trabalho de vários minutos ir borda fora.

Conclusão

Stackmon merece crédito por tentar algo diferente. Afasta-se da fórmula habitual dos monstros coleccionáveis. Funciona para quem procura um desafio de física caótico. É preciso ter uma paciência de ferro para lidar com quedas constantes. Não funciona para quem espera uma experiência de colecção relaxante. Também não serve para quem quer controlos precisos. A frustração de ver torres desabarem é grande. A física é inconsistente. Isso acaba por falar mais alto do que a piada de coleccionar estas criaturas estranhas.

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