Poucos jogos fazem tremer as mãos e rir ao mesmo tempo. Sunset Summit faz isto sem esforço. Olhar para o fundo e saber que um erro deita o grupo todo abaixo dá um medo real. O contraste vem logo a seguir. Olhamos para o lado e vemos o nosso parceiro. É um idoso magro. Ele voa pelo ar com o impulso de um peido a feijão. Ou então é salvo por um drone com colunas de som.
Esta mistura de pânico real com comédia tonta segura o jogo até ao topo.
Jogabilidade
A escalada não é feita por criação ao acaso. Tudo no mapa foi desenhado à mão. Cada saliência precisa de atenção. Cada fenda e cada apoio para o pé também. O peso do corpo e a gravidade facilitam muito pouco. Um salto mal calculado não é só uma queda sua. Pode puxar os colegas que estão na mesma corda. Ou quem está a dar apoio em baixo.
Os caminhos bem pensados fazem a subida saber muito bem. O caminho parece impossível. Só que a saída está na cabeça do grupo. É aí que entram os drones de mapa e as entregas no ar. Um jogador pode ficar num sítio seguro. Ele guia o drone para ver o caminho. Outro usa o Boomer Booster ou um guarda-chuva para passar o buraco fundo.
A ajuda entre oito jogadores vira uma confusão organizada. Os walkie-talkies e o chat de voz criam momentos de aflição real. Falar depressa decide quem vive ou morre no grupo. Para o jogo não chatear tanto, dá para mudar o cansaço. Também dá para mudar o tempo e os pontos onde o jogo guarda a subida. Quem quer o desafio mais duro pode tirar as ajudas. O jogo é flexível. Ninguém fica de fora.
A física pede cuidado. Só que o jogo tem algumas falhas. Às vezes há falhas a encostar às paredes. Há escadas sem corpo que atrapalham na pior altura. São falhas pequenas que chateiam num jogo onde tudo conta. Mas os mapas são tão bons que isto passa ao lado.

Mundo e história
O jogo divide-se por quatro zonas diferentes. Vai de Elder Crag até Old North. Cada zona traz truques novos. Estes truques mudam a forma de subir. Há sítios com muito vento. Há plataformas de vidro que partem com o peso. E há pedras com mofo que escorregam muito.
Não há uma história grande para seguir. A força do jogo está no humor. Está na coragem destes velhos a subir a montanha. O jogo tem pontos para parar entre momentos de medo. Chamam-se bancos Mindful Moment. Os jogadores podem sentar-se nesses bancos. Descansam o coração e olham a vista antes da parede seguinte.
Grafismo
A parte visual junta duas coisas diferentes. Os mapas da montanha parecem reais no tamanho e na pedra. Os bonecos parecem mais simples e a brincar. Não tem o trabalho nem a força de outros jogos grandes. Às vezes as imagens das pedras demoram a aparecer. Mas a arte do jogo faz o trabalho que é preciso.

Som
O som brilha no chat de voz por perto. Os gritos dos colegas vão ficando longe quando eles caem pela ravina. Os drones têm colunas de som para dar força. Isso traz ainda mais piada ao jogo. Os sons das ferramentas e do vento ajudam a sentir o perigo no ar.
Conclusão
Sunset Summit é um jogo forte. Pede estômago para as alturas e calma para a física. Dá muito gozo jogar com amigos num desafio duro. Aqui a ajuda e o humor andam juntos. Não serve para quem se chateia depressa com erros. Nem para quem tem medo de alturas. É uma subida dura e com falhas. Mas chegar ao topo dá uma alegria que poucos jogos dão.

