TFC2: The Fertile Crescent 2 – Collapse of The Age tenta fazer algo diferente. A maioria dos jogos de estratégia evita este caminho. Em vez de nos dar o papel de um conquistador imparável, faz o oposto. Não começamos com três aldeões para acabar a dominar o mundo. Aqui o mundo está a desabar. O objectivo é salvar o que for possível. Esta ideia dita todo o ritmo do jogo.
Jogabilidade
A comida é a engrenagem central de toda a economia. É a mecânica que merece mais atenção. Na maioria dos jogos do género, os recursos servem apenas para comprar unidades. Ou servem para avançar de época. Aqui a comida faz mais. Ela sustenta a população e mantém o exército operacional. Se falharmos na gestão da terra, o sistema colapsa por completo.
Isto altera a tomada de decisões. Treinar um exército não é uma despesa única. É um fardo contínuo. Consome recursos preciosos a cada segundo. A questão deixa de ser quando atacar. Passa a ser se temos comida para os soldados durante a campanha. O crescimento rápido traz riscos sérios. A estabilidade é sempre frágil.
A introdução da pausa activa é uma excelente adição. Dá muito jeito para quem prefere planear com calma. Evita ter de clicar à pressa. Há quatro povos diferentes. Temos os Assírios, os Egípcios, os Babilónios e os Hititas. Há variedade suficiente para experimentar várias formas de lidar com a crise.

Mundo e história
O cenário foca-se no colapso do bronze por volta de 1200 a.C. na Mesopotâmia. Há secas, fomes, revoltas e as invasões dos Povos do Mar. Tudo isto serve de pano de fundo para a campanha. Esta campanha tenta ter muito mais história do que a do primeiro jogo. A equipa abandonou os mapas feitos ao acaso. Criou missões desenhadas à mão. A história foca-se na sobrevivência de uma família.
Grafismo
O grafismo em pixel art é muito bom. Foca-se em ser fácil de ler. O prazer visual vem de ver a sociedade a funcionar. É bom ver os pequenos bonecos a trabalhar nas tarefas do dia-a-dia. Nota-se um esforço visível na pesquisa histórica. Isso nota-se na recriação das casas e das roupas da época.

Som
O som cumpre o seu papel. Acompanha a decadência deste mundo antigo. Ajuda a criar a atmosfera de tensão constante que o jogo exige. Faz tudo isto sem chatear.
Conclusão
Este jogo funciona muito bem para quem tem saudades dos clássicos de construção de cidades da Sierra. É bom para quem procura um RTS mais focado em sobrevivência e gestão. Não é para quem quer combate puro. Não vai agradar a quem procura acção rápida. Também não serve para quem quer a fantasia de construir impérios gigantes sem preocupações. O veredicto é positivo. O jogo tem uma base histórica brilhante. A mecânica de recursos dita mesmo as regras do jogo.

