Começar mais um jogo de sobrevivência é quase sempre o mesmo. Apanhamos pedras do chão. Cortamos árvores sem parar. Carregamos materiais às costas até não dar mais. O ASKA parece fazer o mesmo nos primeiros minutos. Só que isso passa rápido. O jogo mostra logo outra ideia. O objetivo aqui não é carregar madeira horas a fio. O objetivo é criar uma comunidade. Uma povoação que trabalha por nós.
Passar de um sobrevivente sozinho a líder de uma aldeia é o ponto alto. Invocamos aldeões com o sangue de Jotun. A partir daí, o jogo muda de figura. Cada habitante vem com pontos fortes próprios. Podemos dar tarefas certas a cada um. Eles caçam, recolhem coisas ou constroem. Marcamos as silhuetas dos prédios no chão. A equipa de aldeões vai lá, junta o material e levanta a casa. Ver isto a acontecer sem a nossa ajuda sabe muito bem.
Esta parte automática deixa-nos livres para ver o mundo. Mas o caminho até lá é duro. No início, os menus são uma confusão total. Não há uma ajuda clara para quem começa. Guardar e arrumar coisas nas primeiras horas custa muito. O peso limite e o espaço curto obrigam a viagens sem fim. Há uma curva de aprendizagem grande. É preciso passar essa fase para gostar do trabalho na aldeia.
Jogabilidade
O foco do ASKA é dar ordens e fazer o espaço crescer. O sistema de construção pede planeamento. Deixa gerir a tribo como num jogo de estratégia. A aldeia ganha vida aos poucos. Os cidadãos levam materiais e mantêm os postos a trabalhar. Isso cria um ciclo muito bom. Mas preparar o terreno dá trabalho. Pede picareta e terra plana a sério. É preciso aplanar áreas grandes para pôr prédios maiores. Isso estraga um bocado o ritmo do jogo.
A gestão de recursos é boa, mas o combate vai no caminho oposto. As lutas são pesadas e fracas. Dependem muito da barra de cansaço e das armas a partir. A esquiva é presa. Funciona mal. Lutar contra os monstros da noite ou do mapa parece um trabalho chato. Não dá adrenalina nenhuma. O jogo gosta mais de nos ver a tratar da economia.

Mundo e história
A história põe o jogador num mundo feito pela mania dos homens contra os deuses vikings. Há um naufrágio e começamos do zero. Os aldeões são vitais para a economia da aldeia. Mas a inteligência deles é só o básico. Eles vão do ponto A ao ponto B para cumprir ordens. Não têm ideias próprias. Não têm vida fora do trabalho e de dormir.
Grafismo
No aspeto visual, o jogo tem momentos bonitos. A luz da noite sobressai muito. As pedras Jotun e as fogueiras brilham na escuridão. As mudanças de estação estão bem feitas. Vê-se bem a diferença entre os tons quentes do outono e a neve do inverno. O único ponto mau no aspeto é o chão mexido por nós. Fica muito plano e falso no meio da natureza.

Som
O som ajuda muito a entrar no jogo. A música de estilo viking muda sem saltos. É calma durante as obras de dia. Fica tensa quando há perigo perto. Os sons de picar a pedra, cortar árvores e lutar são claros. Dão peso ao que fazemos no mundo.
Conclusão
O ASKA é um jogo de sobrevivência e gestão que sabe bem. Mas pede paciência para passar o início difícil. É bom para quem quer criar uma aldeia que funciona sozinha. Serve para quem prefere planear a apanhar coisas do chão com as mãos. Por outro lado, não serve para quem quer um combate rápido. Quem se chateia com menus confusos também vai sofrer. Para os fãs do género que gostam de ver uma equipa a crescer, há aqui muito potencial. É um mundo com espaço para crescer.

