Análises

Análise: Bohnice: Within The Mind

A ideia inicial de Bohnice: Within The Mind tem o seu valor. Entramos no famoso complexo de Praga. Levamos uma câmara, um rádio pequeno e pouca luz. Vamos descobrir o que aconteceu ali. Podia ser o início de um bom jogo de terror. O problema é que o jogo falha no mais simples. Não consegue transformar essa exploração num caminho claro ou agradável.

Jogabilidade

O grande motor devia ser a investigação sem ajudas no ecrã. A ideia de deixar o jogador andar ao seu ritmo é boa. Não há guias no ecrã. Só que a prática transforma essa escolha numa caminhada sem sentido. Passamos a vida em corredores iguais.

Não há indicação nenhuma. O cenário também não ajuda. As acções pedidas não têm lógica nenhuma. Ficamos perdidos quase logo no início. Andamos a dar voltas ao mesmo sítio. Tentamos abrir portas que não levam a lado nenhum. Olhamos para salas vazias. Nem as salas trancadas dão algum prémio ou avanço na história. Muitas vezes são só mais espaço sem nada.

As ferramentas do trabalho deviam ser muito importantes. No entanto, mostram pouca utilidade. O rádio pequeno serve para apanhar sinais estranhos. Só que apenas faz ruído em pontos certos. Não ajuda a encontrar o caminho. A câmara dá luz com o flash quando a lanterna fica sem pilhas. O problema é que o jogo não deixa mexer no cenário com certos objectos na mão. Para entrar ou sair de algumas divisões, temos de arrumar o material. Torna-se um hábito chato e que não fazia falta.

A parte técnica piora tudo. Estraga logo o ambiente. Quando nos baixamos com a lanterna ligada, a luz aponta para trás. A opção de continuar no menu principal não carrega o jogo guardado. Começa uma partida do zero. Nem sequer há suporte para comando. O progresso faz-se com muitas tentativas que correm mal. Depois a aventura acaba de repente. Acontece no momento em que parecia que algo importante ia surgir.

Mundo e história

O jogo põe o jogador na pele de Alex Turner. Ele é um jornalista. Recebeu uma carta com mistérios sobre experiências e pessoas que desapareceram no hospital. Não há apresentação nem explicação no início. A história depende só dos papéis e das gravações que estão nas salas.

Existem algumas vozes gravadas razoáveis. Só que a história nunca ganha força. Exploramos um prédio sem saber bem para que serve o que fazemos. Quando a história parece que vai mostrar os segredos de Bohnice, o jogo acaba. Atira o jogador outra vez para o menu inicial.

Grafismo

A parte visual é o lado mais aceitável do jogo. O hospital foi feito no motor Unreal Engine. Consegue criar alguns momentos de medo. A zona da rua tem névoa e é boa. O trabalho com as sombras dentro do prédio também é bom.

Ainda assim, há escuridão a mais. Essa escuridão torna o passeio muito difícil. Quando as pilhas da lanterna acabam, não se vê nada. Somos obrigados a usar o flash da câmara só para ver onde pisamos no corredor. Isso não ajuda nada ao estilo visual do jogo.

Som

O som faz o seu trabalho na parte do ruído de fundo. Também funciona bem na voz das gravações. O rádio dá interferências e sons estranhos. Esses sons ajudam a criar um ambiente pesado.

O problema é que os sons funcionam sozinhos. O resto do jogo é só frustração a toda a hora. Por isso, o som deixa logo de dar medo. Passa apenas a ser algo que toca enquanto andamos sem rumo pelo hospital.

Conclusão

Bohnice: Within The Mind saiu para venda sem estar pronto. A ideia de investigar um hospital real sozinhos era boa. Só que a falta de direcção estraga tudo. Os erros de design e as falhas técnicas tornam o jogo só cansativo.

Não se recomenda a quem quer um jogo de terror com problemas lógicos para resolver. Não serve para quem procura uma história bem contada. Só pode interessar a quem quer mesmo ver os prédios por dentro. Mas esse lado visual não chega para esquecer os problemas que vai encontrar.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *