Análises

Análise: Cosmic Fear

Cosmic Fear sabe perfeitamente como criar um ambiente desconfortável. O problema é manter essa sensação assim que somos forçados a interagir com as suas regras de jogo.

A nova obra de Alessandro Guzzo coloca-nos no papel de Benedict West, um investigador do paranormal no início do século XX. O cenário junta ruínas antigas, artifactos mesoamericanos, monitores CRT volumosos e telefones públicos. Esta mistura entre o passado distante e o início da tecnologia moderna funciona muito bem. Não há armas para nos proteger. Benedict é apenas um académico sem preparação para o horror que encontra. Ficar indefeso é a decisão certa para manter a vulnerabilidade.

Jogabilidade

A estrutura de exploração e os enigmas sofrem de uma rigidez cansativa. O maior problema surge no momento em que falhamos um pequeno objecto necessário para avançar. Quando a lógica de um enigma deixa de fazer sentido, a imersão desaparece.

O jogo transforma-se rapidamente numa busca minuciosa por pixéis nos cenários. Somos obrigados a percorrer novamente salas e zonas já exploradas, apenas para encontrar um item que passou despercebido. No instante em que começamos a criticar o desenho do jogo, o medo do escuro desaparece por completo.

Os momentos de verdadeiro susto escasseiam. Apenas uma sequência com tempo limite conseguiu criar pânico real, mas a sua dificuldade revelou-se inconsistente. Uma secção que provocou várias falhas no modo fácil acabou por ser ultrapassada sem qualquer esforço no modo difícil.

Mundo e história

A premissa académica sustenta a narrativa com eficácia. A viagem de Benedict ao encontro dos seus parceiros de investigação, Jacob e Rosa, constrói uma sensação constante de isolamento. É um terror cósmico clássico, focado na pequenez humana perante o desconhecido.

Grafismo

O uso de fotogrametria é o ponto mais forte do projecto. A reprodução de cenários através de fotografias reais garante um mundo palpável e muito credível. O realismo visual ajuda a manter o jogador focado no ambiente enquanto explora as zonas abandonadas.

Som

O desenho sonoro acompanha a qualidade dos cenários e reforça a solidão do protagonista. A utilização de auscultadores ajuda a captar os pequenos ruídos que mantêm o tom inquietante ao longo da exploração.

Conclusão

Cosmic Fear é recomendado para quem procura uma experiência de terror cósmico focada no ambiente, com excelente trabalho visual e sem combate. Não serve para quem irrita facilmente com a necessidade de vasculhar cenários ao pormenor para encontrar itens escondidos. Vale pela atmosfera, mesmo que as falhas de ritmo e o design dos enigmas estraguem parte do impacto.

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