Análises

Análise: Mad Metal

Fusões bizarras entre humanos e máquinas numa estética oitentista até parecem uma boa premissa para um jogo de combate ao volante. A ideia de largar a componente de corrida tradicional para apostar exclusivamente em confrontos de arena tem o seu apelo, mas Mad Metal tropeça na própria execução assim que saímos da garagem.

Jogabilidade

O foco aqui não é acelerar numa pista até à meta. É abalroar e destruir. O problema é que a maioria das arenas parece pequena demais para a velocidade que os carros atingem. Tentar ganhar balanço resulta quase sempre contra uma parede ou num capotamento ingrato. A utilização dos jactos de impulso vertical ajuda a fugir do perigo, mas transforma o veículo num alvo fácil quando chega a hora de aterrar.

O combate assenta sobretudo em ataques frontais. A não ser que tenhas uma arma ligeira equipada, estás limitado a apontar para onde o pára-brisas se fixa. Isto transforma os duelos numa espécie de justa medieval a alta velocidade: acelerar em direcção ao adversário com foguetões ou lança-chamas, passar por ele, fazer uma curva rápida de 180 graus e repetir o processo. Essa manobra de inversão rápida funciona muito bem, mas a dinâmica geral do combate cansa depressa.

A afinação dos veículos é, sem dúvida, o ponto mais forte. Melhorar o carro com sucata apanhada nas batalhas, aplicar novas peças e equipar capacidades activas ou passivas dá um gozo genuíno. Há uma variedade enorme de opções que afectam tanto o visual como a sobrevivência no terreno.

Infelizmente, a navegação entre os modos de jogo é um desastre técnico. Escolhemos a campanha e, sem aviso, o jogo decide atirar-nos para uma partida contra outros jogadores. A meio de um combate que parecia estar a correr bem, surge uma barra de progresso no ecrã e somos transportados para uma arena diferente antes de o tempo terminar. Pior ainda: depois de vencer invasões de outros jogadores no modo a solo, o progresso da missão simplesmente desaparece e voltamos ao menu principal. Estas interrupções constantes retiram qualquer vontade de continuar.

Mundo e história

A premissa coloca-nos num futuro onde inteligências artificiais transformaram carros em entidades conscientes que capturam os últimos sobreviventes humanos. A motivação da campanha é resgatar a filha e descobrir o paradeiro da esposa, mas a narrativa serve apenas de pretexto vago para nos atirar para o meio da sucata. A estrutura em capítulos perde a força perante a confusão dos menus e das invasões indesejadas.

Grafismo

Os modelos dos carros e as opções visuais de personalização são excelentes. As áreas urbanas e mais fechadas têm um bom detalhe visual, destacando-se em relação às zonas desérticas, que parecem mais despidas e genéricas. O desempenho em dispositivos portáteis sofre com algumas quebras de fotogramas que afectam o controlo, sendo recomendável jogar num computador mais capaz.

Som

O ambiente sonoro cumpre o seu papel ao transmitir a estética de ficção científica dos anos 80 e o ruído metálico dos confrontos. Os motores e as explosões dão o peso necessário à carcaça dos veículos, embora não haja nada de particularmente memorável no trabalho de áudio.

Conclusão

Mad Metal é recomendado para quem procura apenas montar e personalizar veículos com um aspecto incrível e uma forte identidade dos anos 80. Não funciona para quem espera uma campanha a solo estruturada ou um combate de arena fluído e sem sobressaltos técnicos. O potencial visual e a garagem apelativa não chegam para compensar os erros que interrompem constantemente a acção.

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