Análises

Análise: Verde

Verde promete tranquilidade. Mas entrega sobretudo tédio. O jogo tenta afastar-se da pressão dos outros construtores de cidades. Quer focar a experiência numa evolução lenta e limpa. A ideia de mudar terrenos secos em vegetação tem apelo no início. O problema é quando essa lentidão deixa de ser calma. Passa a ser apenas falta de conteúdo.

Jogabilidade

A mecânica de limpar o solo e plantar árvores é a base de tudo. No início, ver os primeiros hectares de verde a crescer dá alguma satisfação. O controlo dos recursos funciona sem complicação. A expansão do território também é simples. No entanto, o sistema de progresso bate rápido numa parede.

O maior problema do jogo está na forma como trata o tempo do jogador. As tarefas pedem uma espera constante. Essa espera não traz decisões com interesse. Ficamos a olhar para o ecrã à espera que os recursos subam. Não há nada de importante para fazer entretanto. Não há perigo. Não há falta de recursos real. Não há razão para organizar melhor o espaço.

O jogo tenta tirar todo o tipo de conflito ou falha. Isso tira a graça ao ciclo de jogo. Não há desafios para resolver. Não há mecânicas que obriguem a pensar no futuro. O sistema vira uma rotina mecânica. Limpar, plantar, esperar e repetir.

Mundo e história

Não há uma história organizada. Não há um mundo com passado para descobrir. O cenário é só uma folha em branco. Precisa de ser cheia com vegetação. A falta de contexto tira peso ao que o jogador faz. A falta de pessoas faz o mesmo. O mundo parece vazio. Funciona só como um tabuleiro parado.

Grafismo

O estilo visual simples serve bem a ideia. A mudança entre a terra seca e o regresso da natureza nota-se bem. É agradável de ver. Mesmo assim, há poucas plantas e poucos prédios. Isso faz os cenários ficarem todos iguais ao fim de poucas horas.

Som

A música aposta em faixas calmas. Tem sons da natureza que servem de fundo. Funciona bem nos primeiros minutos. Mas as músicas repetem-se muito. O som fica tão chato como o próprio ritmo do jogo.

Conclusão

Verde falha em juntar uma experiência calma a um jogo interessante. Serve só para quem quer algo muito parado para ter no ecrã sem pensar. Quem quer um construtor de cidades com sistemas que prendem ou escolhas que mudam o jogo não vai gostar deste título.

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