Análise Medal of Honor Warfighter

O melhor momento de Medal of Honor já vai longe, e não é Warfighter que o vai trazer de novo ao topo. A Danger Close cometeu praticamente todos os erros que cometeu no Medal of Honor de 2010,e apesar de ser um bom FPS, Warfighter é genérico demais para ser tão marcante como os Medal of Honor antigos.

Medal of Honor foi um caso de sucesso. Começou com jogos com palco na Segunda Guerra Mundial e depois de ter atingido vendas modestas com Pacific Assault e Airborne, a franquia passou vários anos em branco antes de reinventar Medal of Honor em 2010, fazendo o mesmo que Call of Duty tinha feito anos antes, passar para os tempos modernos.

Infelizmente, a Danger Close não conseguiu cumprir o objectivo principal de roubar vendas a Call of Duty, que mesmo sendo lançado anualmente conseguiu inovar mais todos os anos que Medal of Honor. Apesar de fazer muito, Medal of Honor não parece fazer nada melhor que os seus concorrentes e infelizmente, o novo título acusa as mesmas falhas que o seu antecessor. Não só é alarmante falta de identidade do novo Medal of Honor, mas a inspiração é novamente pouca tanto na campanha single-player como multiplayer competitivo.

Tornou-se hábito nestes FPSs fornecer campanhas individuais e curtos, que tradicionalmentedemoram entre 4 a 6 horas. O jogo da Danger Close dura exatamente metade destes números, com uma história que demora 5 horas no nível de dificuldade médio. A campanha de Medal of Honor tem como objectivo ser uma curta viagem emocionante e cheia de adrenalina; Quanto a ser curto, Warfighter consegue cumprir. Cada uma das missões é apresentado com uma cutscene, na qual são apresentados os objetivos que temos que cumprir durante a missão e qe nos diz algo sobre a história dos protagonistas . Há, uma intenção muito louvável de dar alguma profundidade  ao personagem principal, um soldado moderno, com os problemas enfrentados por um homem moderno, e que faz parte de uma família disfuncional e cuja ex-mulher e filha estão a recuperar. Apesar da tentativa e quando indicava uma estória profunda acaba por não concretizar, passando a oportunidade ao lado.Vários veteranos de guerra acompanharam o script do jogo, que devem ver este jogo como uma espécie de tributo.

Infezlimente as cutscenes fantásticas não têm uma estória forte por trás, ou pelo menos uma que cumpra tudo o que promete. A estória de Warfighter não é má, longe disso,  simplesmente vamos acabar por ver que a premissa que promete tanto acaba por ser mal aproveitada, ficando apenas algo que poderia ter sido bom.

Mas será a estória assim tão importante num FPS?  O problema da campanha de Warfighter tem mais a ver com o facto de a ação ser espetacular do ponto de vista estético, mas não muito chamativa na componente jogável. O jogo tem um início cheio de adrenalina oferecendo uma variedade de situações cheias de desafios. No entanto, não mantem o ritmo, perde gradualmente a força numa campanha que só funciona às vezes, e na maioria das vezes é uma sucessão de tiroteios.

Há um par de sequencias brilhantes, por exemplo, um capítulo numa cidade devastada por uma tempestade tropical, e uma missão em que pilotamos um carro numa perseguição de carro entre as ruas lotadas da cidade somali cheia de intensidade. É um pouco triste que um dos melhores capítulos de um shooter em primeira pessoa seja um onde se é piloto de um carro, mas isso dá a ideia de que os esforços da Danger Close foram talvez gastos nos sítios errados. Devemos esclarecer que, em geral, o modo de estória consiste de 80% de tiroteios, mas há alguma outra seção com veículos com barcos, por exemplo, ou um tiroteiro de um helicóptero. Há até uma boa diversidade nas missões.

O problema é que o novo Medal of Honor precisa desses picos de variedade para manter o interesse na campanha single player, porque os tiroteios não são muito satisfatórios. A IA também não ajuda muito tornando o combate um pouco aborrecido. Felizmente a sensação de disparar as armas é fenomenal e é muito bem feita, no entanto, os cenários são um pouco pobres e as táticas inimigas equivalentes à IA.

Os níveis são muito lineares e marcados por corredores estreitos que não deixam muito espaço para a improvisação. Talvez isto seja pelo melhor, uma vez que a IA dos aliados é tão fraca como a dos inimigos. Os nossos aliados não têm a menor noção de liderança resultando em alvos fáceis. É bastante fácil ser mais inteligente que os inimigos e conseguir elimina-los pelas costas.

Tudo é o normal na campanha. Ir do ponto A ao ponto B por um cenário estreito e ao longo do caminho atirar em tudo que se move. Soldados, helicópteros, veículos com metralhadoras e escudos. Para mudar um pouco por vezes temos que usar vários gadget. Terão acesso a um pequeno robô, com uma metralhadora que pode voar. No entanto o que mais vamos fazer é repetir ataques táticos que já jogamos em Call of Duty. Apesar de tudo ser bom fica a ideia de que “já fiz isto antes”.

Warfighter tenta fugir aos esquemas rígidos do gênero, porém várias vezes em cada missão terão de realizar qualquer uma das ações para abrir portas por exemplo,um mecanismo que se repete tanto que ainda tem o seu próprio esquema de melhorias. O sistema é tão simples que só desbloqueia recompensas com novas formas para quebrar as portas alcançando um determinado número de headshots em cada um dos ataques anteriores.

Warfighter tem um multiplayer que dá ao produto um valor acrescentado, e que ajuda a subir algumas posições na sua qualificação. Não que o aspecto online do título de Danger Close seja brilhante, mas é eficaz e apoiado por uma força de trabalho em equipa que é sempre bem-vindo em qualquer tipo de experiência competitiva. Poderíamos dizer que a experiência é situada a meio caminho entre a ação rápida e arcade da série Call of Duty.

 O modo multiplayer é uma repetição de uma experiência jogada mil e uma vezes noutros jogos. A oferta é dividida em estilos clássicos como Deathmatch, Capture the Flag e um equivalente a Rush da série Battlefield. O resultado é razoável,   alguns mapas estão desenhados melhor do que a campanha single player, mas não conseguem grandes resultados também. O que se ganha com eles é que a ação é rápida e furiosa através da Internet. Há também um aspecto de personalização bastante detalhado, sendo até possível decidir nossa nacionalidade. Podemos modificar a aparência dos nossos soldados e algumas de suas habilidades, mas a maioria dos recursos não excedem a estética.

A maior virtude de Medal of Honor tem a ver com o setor de audiovisual. Esteticamente, é um jogo muito poderoso, com gráficos admiráveis ​. Os cenários são um dos melhores que existem, graças a um acabamento muito bom e uma técnica de iluminação formidáveis ​​que lhes dão realismo e toda a personalidade que falta ao resto de Warfighter. As texturas em geral, têm um nível muito bom de detalhe, e são instalados automaticamente na PlayStation 3, um processo opcional (mas altamente recomendado) na Xbox 360.

Medal of Honor: Warfighter, está longe de meramente interessante e consegue superar o seu antecessor, infelizmente fica longe dos velhos tempos da série. Com inúmeros problemas de acabamento e desenvolvimento, um pouco monótono e sem inspiração.

7/10

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Tiago Roque

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