Análise Sly Cooper: Thieves in Time

Longe vão os tempos de glória dos jogos de plataformas. Actualmente o mercado está saturado de FPSs e jogos de accão na terceira pessoa. Ratchet & Clank é bem provavelmente a única excepção, talvez explicada pelo seu enorme foco na acção. A espera foi longa mas Sly voltou e trouxe de volta uma certa nostalgia e saudade que tinhamos por este genero que ainda tem bastante diversão para oferecer.

Fora das mãos da Sucker Punch que se focou em inFamous de deixou Sly, Thieves in Time chega quase no final desta geração, à PS3 pelo menos, pois à PlayStation Vita chega relativamente cedo na vida da consola. Graças ao Cross-Play podem levar Sly convosco e continuar exactamente onde deixaram o jogo na PS3. Alem disso apenas precisam de comprar o jogo uma vez, o que é optimo caso possuam as duas consolas.

Se acompanham a serie desde o inicio vão tirar maior partido de Thieves in Time, vão reconhecer as personagens, apesar de algumas estarem agora mais velhas. Thieves in Time passa-se alguns anos depois do final da trilogia original com Sly reformado da vida de ladrão mas com dificuldade em ultrapassar o seu habito. É também muito mais difícil voltar à sua vida de ladrão pois namora agora com Carmelita mas rapidamente tudo volta ao normal.


Um dia não se consegue conter mais e volta à vida de ladrão e felizmente o seu antigo gangue está por perto (que conveniente) e Sly junta-se aos seus companheiros para o que parecia um ultimo assalto, mas que acaba por ser muito mais do que isso. Depois de uma breve apresentação de cada personagem, que inclui a sua vida depois do crime, conhecemos os pormenores da nossa aventura.

Sly possui um livro de família que inclui todas as técnicas de ladrão que ele aprendeu mas as paginas estão a desaparecer porque alguém anda a alterar o passado. Bentley, uma tartaruga bastante inteligente, desenvolve então uma maquina do tempo na carrinha de Murray, um grande hipopótamo cor de rosa (não é a Popota). Juntamente com o nosso guaxinim todas essas personagens são também jogáveis, assim como os antepassados de Sly que vão conhecer no passado.

Depois de uma cutscene bastante inspirada em Back to the Future vão chegar ao Japão, a primeira localização do jogo depois do museu inicial e onde conhecem melhor as mecânicas do jogo. Estas viagens no tempo são uma desculpa brilhante para trazer enorme variedade ao jogo.

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Cada uma das áreas do jogo estão abertas à exploração livre dos jogadores, onde podem encontrar alguns tesouros ou recolher moedas que podem usar na loja de melhoramentos do jogo, em que podem comprar novos ataques. Depois há as missões principais do jogo. Antes de entrarem no jogo em si escolhem uma personagem e depois de entrar no jogo têm que ir até um sitio marcado no mapa para aceitarem a vossa missão.

Nem todas as personagens têm sempre missões para fazer, cada objectivo pode ser feito por uma certa personagem e não por uma qualquer. Cada personagem oferece uma jogabilidade diferente, com Sly a preferir obviamente uma abordagem mais furtiva, Bentley a servir-se de gadgets e Murray uma abordagem bem mais directa com o maior foco da acção. Além destas personagens como já referi há todos os antepassados de Sly, com ataques únicos e missões próprias.

Desta forma quando jogam com Sly ou os seus antepassados a jogabilidade é relativamente semelhante à dos títulos anteriores, simplesmente um pouco melhorada. Com Bentley além dos seus gadgets irão aceder a uma boa quantidade de mini-jogos para conseguirem abrir portas. Algo que faz lembrar bastante Ratchet & Clank, no entanto os jogos de Sly são mais variados e interessantes. Como Murray o jogo passa a ser mais próximo de um jogo de acção beat em up sem nunca se distanciar demasiado da jogabilidade do restante jogo.

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Para ultrapassar algumas zonas precisam de alguns disfarces que vão ter recolher nas várias áreas do jogo, existindo normalmente uma missão dedicada a isso. Com esses disfarces podem passar pelos inimigos como se nada se passa-se e utilizar algumas habilidades próprias de cada disfarce. No Japão por exemplo recebem um disfarce de general que contém um escudo com que podem repelir bolas de fogo. Além disso com esse disfarce podem passar pelas chamas sem sofrer dano.

No geral Sly Cooper: Thieves in Time é muito bom, mas há algumas falhas. A acção furtiva é competente mas por vezes é um pouco ridículo a forma como os inimigos simplesmente não nos vêem apenas porque não estamos na zona iluminada pela sua lanterna, mesmo que estejamos mesmo à frente deles.

Outro aspecto que me surpreendeu bastante pela negativa é o grafismo. Apesar de estar muito bom na Vita, na PS3 o jogo é dos exclusivos mais fracos neste aspecto. Jogos dos género lançados no inicio de vida da PS3 como Ratchet & Clank: Tools of Destruction por exemplo são muito, mas muito superiores em grafismo. Talvez pelo tipo de grafismo escolhido ou porque foram desenvolvidas as duas versões ao mesmo tempo, mas a realidade é que graficamente Thieves in Time é pobre. De facto não existem praticamente diferenças entre a versão PS3 a a da PlayStation Vita o que acaba por não ser um elogio à versão PS3.

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Thieves in Time não é também muito ambicioso. Tudo o que temos neste jogo tínhamos já na geração passada, não existindo realmente grande inovação, mas se a inovação ficar para um próximo jogo não me parece nada mal. Para que este género de jogo sobreviva é necessária alguma maior coragem que não existiu neste jogo. Não deixa de ser um jogo bastante sólido, competente e um óptimo regresso de Sly.

No fundo não há muito para falar mal, há uma enorme variedade, o humor é óptimo e para toda a família  está completamente em português tanto em texto como em voz, os mini-jogos são divertidos e a jogabilidade óptima. Graficamente é realmente uma desilusão e não oferece nada de novo, mas faz jus ao nome Sly e é bastante divertido. Além disso recebem basicamente dois jogos pelo preço de um o que é óptimo caso possuam os dois sistemas.

8.5/10

Tiago Roque

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