Análise Cities in Motion 2

Depois de Sim City, Cities in Motion 2 volta a trazer a gestão de uma cidade como tema principal de um jogo. Ao contrário do jogo da Maxis, Cities in Motion 2 apenas nos deixa controlar os serviços de transportes públicos, no entanto apesar de ser um dos aspectos de Sim City e aqui ser o tema principal, o nível de complexidade é realmente enorme quando comparado com o de Sim City. Isto percebe-se pelo simples facto de Sim City ter muito mais do que uma rede de transportes, mas não deixa de ser curioso o nível de detalhe que se pode conseguir com apenas os transportes públicos em mente.

Para que possam criar uma rede satisfatória devem começar por conhecer os vossos clientes e nesse aspecto Cities in Motion 2 dá-nos mais informação do que aquela que seria necessária até. Podemos conhecer os vários tipos de pessoas que habitam a cidade, desde a mão de obra menos qualificada até grandes empresários. Estudantes, turistas e toda a restante população, todos eles têm necessidades especificas que o jogador deve ter em conta quando está a pensar a sua rede de transportes.

Há bastantes meios de transporte disponíveis, cada um com custos associados e um grau de dificuldade. Os autocarros são provavelmente o meio de transporte mais simples de implementar. Primeiro porque necessitam apenas de estradas e isso normalmente já existe numa cidade, o que nos deixa apenas com o papel de escolher os percursos e colocar paragens. Infelizmente os autocarros não levam muitos passageiros e aqui começam os problemas e as escolhas que o jogador tem que fazer, avaliando as necessidades dos clientes para saber qual o tipo de transporte que deve criar. 

Para nos ajudar existe um detalhado mapa que nos mostra toda a informação que precisamos para saber como se estão a comportar os transportes que já criámos e as necessidades da cidade. Isto é até sabermos olhar para ele, pois no inicio não passam de zonas a cor de diferente e bastantes números a mudar constantemente o que pode deixar qualquer jogador completamente perdido, mas assim que vão jogando tudo começa a fazer sentido e quando chegar a altura vão olhar para o mapa e saber exactamente o que fazer.

Apesar de eu ter referido Sim City no inicio desta análise é importante referir que em City in Motion 2 não irão criar uma cidade. No entanto a vossa rede de transportes irá afectar o ambiente que a rodeia. Uma zona sem acessos irá sempre ser menos desenvolvida que aquelas onde construindo ruas e outras infraestruturas. Não de uma forma tão rápida e drástica como em Sim City, mas dá aos jogadores um bom feedback daquilo que estão a fazer.

Colocar o nosso plano em prática é provavelmente a pior fase, uma vez que existem algumas claras falhas na interface e design de interacção. É comum ter que aproximar e afastar a camera, no entanto as cores que representam itinerários tornam praticamente impossível ver se já existe um sistema de outro transporte nessa área por exemplo. É aqui que Cities in Motion 2 se torna um pouco frustrante e pouco funcional. Felizmente nada disto afecta as virtudes do jogo em demasia e o máximo que acontece é algumas ruas ficarem por conectar por alguns centimetros mas rapidamente se irão aperceber e rectificar a situação.

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Algo que caracterizou o primeiro Cities in Motion está de volta, a falta de diversidade nos veículos. Se podermos pensar no primeiro jogo com exemplo podem contar com dezenas de DLCs a caminho com muitos veículos “premium”  no entanto não posso deixar de criticar a falta de escolha que existe no jogo base.

Relativamente ao primeiro jogo ainda, no geral este é uma avanço significativo. Tudo está um pouco mais polido e fora alguns bugs ocasionais e os pequenos problemas que podem acontecer durante a fase de construção é uma experiência bastante gratificante e com um grau de complexidade bastante grande. A quantidade de opções é gigante quando comparado com o sistema de transportes de Sim City por exemplo. Apesar de Sim City se focar em muito mais do que transportes é realmente fantástico ver a quantidade de profundidade que pode existir apenas neste aspecto.

Para os jogadores mais dedicados existe ainda um modo de edição onde podem criar a vossa própria cidade e um modo competitivo onde dois jogadores se tentam sabotar um outro. Muitos vão dizer que não é realmente assim o modo online mas na realidade é a isso que se resume pois dos jogos que fiz ninguém tentou realmente fazer a companhia de transportes mais rentável mas sim tornar a do adversário num poço de dividas.

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Cities in Motion 2 é a sequela de um jogo razoável que melhora bastantes aspectos do seu antecessor. Visualmente fica alguns pontos abaixo da concorrência  mas compensa em complexidade. É um jogo com bastante publico sem duvida e a sua qualidade não é discutível sequer, no entanto há alguns problemas que podem comprometer a qualidade geral todos eles já referidos. Talvez um pouco mais de conteúdo também fosse bem vindo, uma vez que certamente irá lançado bastante como DLC. Se gostam deste tipo de jogo devem aumentar um valor à nota, para os restantes os bugs serão um pouco mais difíceis de evitar.

7.5/10

 

Tiago Roque

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