Análise The Night of the Rabbit

Toda a gente já teve um verão inesquecível, e a aventura point-and-click The Night of the Rabbit dá-nos aquela sensação de nostalgia, ao oferecer uma história fantástica, mais parecida com um conto encantado, com animais que falam, perigos escondidos e um ambiente mágico. Este jogo põe-nos no papel de Jeremiah Hazelnut, aprendiz de um coelho falante, que nos leva a uma aventura digna de um livro, durante as suas férias de verão.

No papel de personagem central, o pequeno jovem Jeremiah, aprendiz de mágico, está nos seus 2 últimos dias de férias de verão, e é quando conhece um coelho gigante que fala, que os dois embarcam numa aventura para uma terra mágica, cheia de vida e cor chamada Mousewood. Jeremiah vai em busca do conhecimento de feitiços, para se poder tornar o Treewalker ( um mágico que viaja entre mundos por portais nas árvores), mas existem outros mistérios e muitos puzzles para resolver no meio disto tudo.

 Apesar da história ser de certa forma simples, ao longo desta épica demanda em busca da magia, encontramos vários personagens misteriosos, que no inicio nos dizem coisas aparentemente sem sentido e algo vagas, mas que acabam todas por ser reveladas a medida que a história se desenrola, o que mostra uma lado mais misterioso que por vezes faz lembrar Alice no País das Maravilhas. Mas mais importante para mim numa aventura point-and-click não é tanto o desenrolar da história, mas os mistérios, os personagens e os diálogos, e aqui a Daedalic Entertainment surpreende. Todos os personagens do jogo, sejam humanos ou não, são interessantes e divertidos de interagir. Os diálogos são variadíssimos e engraçados até conseguem ser comoventes em alguns momentos. As vozes que dão vida a alguns personagens são também brilhantes, o que nem é normal num jogo deste género e não tiram personalidade nenhuma ao ambiente de jogo, sendo que a única coisa que nos vai pôr a deitar fumo pela cabeça são mesmo os vários puzzles, ou não fosse The Night of the Rabbit um verdadeiro point-and-click.

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Ao jogar este conto épico, não esperem encontrar notas escritas por todo o lado, a dizer onde ir ou o que fazer, pois o jogo não nos conduz a lado nenhum, o jogador é que tem de procurar, investigar, falar com personagens, recolher objetos, com a ajuda de um intuitivo sistema de inventario, para resolver os diversos puzzles que o jogo oferece, e alguns deles, senão a maior parte são bastante difíceis e podem mesmo demorar algumas horas a resolver um só. Todo isto pode ser frustrante por momentos, mas no fim, penso que é a abordagem que um point-and-click de grande qualidade deve ter, pois terminar este jogo não é tarefa fácil e dá-nos uma sensação de recompensa muito maior.

 O que mais me impressionou em The Night of the Rabbit foi mesmo o detalhe artistico. A partir do momento em que o jogo começa, ficamos impressionados com o detalhe dos personagens, a lividez do ambiente que nos rodeia, e as cores vivas que tornam Mousewood ainda mais mágico e especial, parece mesmo que tudo foi desenhado a mão.

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A única coisa apontar em The Night of the Rabbit é alguns bugs, principalmente nos diálogos, quando por exemplo Jeremiah faz um comentário a descrever um item, e este inclui falas de outros personagens, mesmo quando eles já não estão connosco, entre outros pequenos aspetos não muito polidos, mas são tão pequenos que se tornam insignificantes, e quase não damos por isso á medida que vamos jogando.

 The Night of the Rabbit é sem dúvida um jogo fantástico e um point-and-click da mais alta qualidade, principalmente do ponto de vista artístico, e a antevisão feita pelo combocaster já previa um jogo de grande qualidade, e não desapontou. Apesar de ser um jogo para um publico muito específico, a qualidade artística e a história maravilhosa vai encantar veteranos do point-and-click, mas certamente vai convidar novatos do género, é surpreendente, engraçado e comovente. A Daedalic provou que é capaz de produzir uma aventura ao nível dos melhores clássicos no género.

8.5/10

Tiago Roque

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