Análise DuckTales Remastered

Muitos dos remakes que analisei aqui no ComboCaster não foram propriamente bem recebidos, simplesmente porque são na sua maioria jogos que já não funcionam, porque não foi feito nenhum esforço em modernizar o seu conceito. DuckTales sofre exactamente do mesmo problema, no entanto isso pode não ser realmente mau, depende muito daquilo que vocês procuram enquanto jogadores. O DuckTales original é universalmente reconhecido como um jogo excelente e o exemplo perfeito de como utilizar uma boa licença para fazer um bom jogo, pelo menos no tempo da NES. É um jogo de plataformas com óptima jogabilidade, musica fantástica e um role de personagens que todos conhecemos da série da Disney. Actualmente é que o problema é maior. DuckTales é uma série velha que apenas uma parte dos jogadores se lembra e esses estão agora com cerca de trinta anos.

É difícil portanto identificar o publico alvo desta versão Remastered, a não ser que sejam todos os jogadores que jogaram o jogo original e para esses posso deixá-los tranquilos, pois DuckTales Remastered é exactamente o mesmo jogo que jogaram à muitos anos. Não existe qualquer esforço em inovar demasiado, sendo que a única inovação acaba por prejudicar o jogo. Ao contrário de um jogo simples e rápido, agora temos um jogo quebrado por diálogos que apesar de curtos são demasiado constantes.

A jogabilidade é praticamente a mesma que no jogo NES original, com Scrooge a ser capaz saltar com o seu pogostick e quebrar objectos batendo com a bengala. Todos estes mecanismos são relativamente simples de usar e tudo é bastante intuitivo. Se pensam que podem usar o pogo para saltar por isso de uma armadilha, normalmente podem. Os Bosses já não são tão simples com estes a utilizarem novas tácticas. Infelizmente, tal como os diálogos, alguns secções arrastam-se demasiado sem qualquer sentido. Se por um lado os criadores tentaram oferecer exactamente a mesma experiência, por outro fizeram alterações que não beneficiaram o jogo em nada.

Uma das opções de design mais estranhas no jogo é a decisão de criar objectivos necessários em cada etapa. O DuckTales original é óptimo para speedrunners e raramente precisamos de perder tempo a explorar o mapa. Em Remastered isso acontece muito mais do que deveria e acaba por danificar bastante o ritmo do jogo. Outro aspecto que me parece estranho, vai incidir novamente na questão do publico alvo. Se todos os que jogaram o jogo original são agora eles pais, porquê é que as piadas são tão infantis? Para quem é realmente este jogo?

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Graficamente DuckTales Remastered fica entre o fantástico e o mediano. Se por um lado as personagens estão recriadas maravilhosamente, os cenários são um pouco aborrecidos de olhar, notando-se realmente onde foi colocado todo o esforço. No entanto tudo isso cai um pouco por terra ao não animar da mesma forma brilhante todas estas personagens. Muitas animações são repetidas e não existem qualquer ligação entre o diálogo e a boca das personagens, que nem sequer mexe.

Com Rayman Legends acabado de sair também não podemos deixar de comparar os dois, uma que são jogos do mesmo género, e a realidade é que não existe comparação possível. Um é um jogo soberbo que é na minha opinião um dos melhores jogos do género de sempre, o outro tenta puxar pela nossa nostalgia sem oferecer realmente nada de novo. Esquecendo que estamos separados por cinco gerações de consolas, o DuckTales original é uma ameaça bem mais forte à qualidade de Rayman Legends do que este Remastered.

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Mas nem tudo é mau em DuckTales Remastered obviamente. Se o jogo original é um dos vossos jogos favoritos, têm aqui a oportunidade de reviver toda essa magia com um grafismo HD muito bem conseguido, uma banda sonora que é tão fantástica como se lembram e a jogabilidade simples e divertida que o clássico também oferecia. Infelizmente para aproveitar tudo isso vão ter que aguentar algum diálogo irritante, mas é um pequeno sacrifício. Para os restantes jogadores, DuckTales Remastered é simplesmente irrelevante.

6.5/10

Tiago Roque

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