Análise Batman Arkham Origins

Arkham Origins infelizmente não veio dos mesmos criadores, apesar de fazer parte da mesma série e continuar com o mesmo motor de jogo. Mas apesar disso fico satisfeito em poder dizer que isso não se traduz numa grande quebra de qualidade. Penso até que os próprios criadores do jogo tinham mais medo de falhar do que nós de ver o resultado final e isso vê-se principalmente nas semelhanças que este tem com os jogos anteriores. Nota-se que não houve realmente liberdade e não foram corridos quaisquer riscos. Gosto de pensar que isto se deve ao não querer desapontar os fãs e não há falta de criatividade da Warner Bros. Games Montreal, um estúdio bastante recente.

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Isto significa que quem jogou os anteriores não vai ter grandes surpresas. Visualmente é muito semelhante, existem muitos assets dos jogos anteriores e a jogabilidade é exactamente igual excepto algumas diferenças pontuais. Mas isto não o torna mau. Sim é mais do mesmo, mas se Assassin’s Creed e Call of Duty podem fazer isso porque é que Batman não pode? Arkham Origins tal como o nome indica é uma história de origem. Uma prequela dos dois jogos anteriores, que apesar de não chegar ao ponto de tocar realmente na origem do nosso herói, conta a história de um Batman novo e desconhecido, assim como a de alguns vilões a dar os primeiros passos também.

O progresso é muito semelhante ao de Arkham City, onde depois de uma sequência inicial estamos livres para explorar uma nova Arkham que apesar de familiar é também diferente da que vimos anteriormente. A exploração é um elemento crucial em Arkham Origins e o progresso faz-se através de zonas de história e algumas bases onde existem inimigos mais fortes. Maior parte dos elementos da série continuam presentes, como puzzles, gel explosivo e todas as outras gadgets. Ser furtivo é talvez menos útil agora do que alguma vez foi na série, pois facilmente conseguimos livrar-nos dos inimigos. A principal novidade é o novo modo de analise de cenas do crime em que podemos ver uma imagem mental do que realmente aconteceu ali. É uma novidade interessante mas que infelizmente não está realmente bem aproveitada, acabando por ser uma pequena curiosidade.

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Arkham é uma cidade vazia, além de inimigos ninguém habita as ruas, mas isso é compensado por uma boa dose de arquitectura interessante e diversificada que dá gosto explorar. Enquanto “open world” não há muito que Arkham Origins faça realmente mal, mas também não faz nada de novo. O sentimento de familiaridade é exactamente igual ao de “já estive aqui e já fiz isto antes”, ou seja, se por um lado não vão ter que aprender nada de novo para aproveitar a história, também nada vos irá impressionar. Isto tudo depende muito do facto de terem ou não jogado o seu antecessor. Se não jogaram nenhum dos anteriores, Arkham Origins é o jogo ideal para começar. Vão ter acesso e tudo o que foi inovador antes, vão jogar um titulo de grande qualidade em que o facto de não inovar os anteriores não se aplica. Além disso se gostarem têm ainda dois jogos que podem jogar a seguir que continuam a história.

Se por outro lado estão do lado daqueles que adoraram Arkham Asylum e não gostaram da liberdade em Arkham City, então podei deitar fora qualquer esperança de que esta fosse uma experiência mais linear. Apesar de gostar da liberdade de Arkham City, acho também que essa abordagem prejudica um pouco a qualidade da narrativa. A linearidade pode ter os seus defeitos, mas é bem mais eficiente para contar uma história. Sendo impossível não comparar Arkham Origins com os jogos anteriores, é preciso dizer que este não supera em nenhum aspecto os anteriores, mas fica perto de os igualar.

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Onde Arkham Origins erra mais é na sua falta de cuidado com o pormenor e em algumas zonas nota-se que o lançamento foi um pouco apressado. A dificuldade por exemplo não é equilibrada. Não tenho problemas com a dificuldade flutuar um pouco mas aqui acontece várias vezes encontrarmos um combate demasiado fácil depois de uma demasiado difícil. Alguns bosses são também frustrantes e não parece existir grande critério nas zonas em que o gel explosivo funciona.

Mas nenhum destes problemas prejudica realmente o jogo ao ponto de o tornar mau. Se jogaram os anteriores vão achar que não inova em quase nada, mas a realidade é que é tão inovador quanto qualquer Call of Duty ou Assassin’s Creed anuais. Infelizmente não é tão polido como esses dois exemplos anteriores, mas tem uma história interessante que nos mantém agarrados do inicio ao fim e ver um novo ângulo de alguns dos vilões mais carismáticos só por si valeria a pena.

 

 

Tiago Roque

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