Análise Charlie Murder

Ultimamente parece ter havia um regresso dos brawlers clássicos. Depois do enorme sucesso na era 8 e 16 bit o género caiu um pouco de popularidade com a generalização dos jogos 3D, mas recentemente depois do crescimento da cultura de jogos indie o género tem crescido de popularidade e até viu alguns grandes lançamentos, como por exemplo o brawler / RPG Dragon’s Crown. Charlie Murder é um side-scroller de acção para quatro jogadores com elementos de RPG leves.  É sangrento , divertido e o co-op torna-o ainda melhor. As comparações com Dragon’s Crown podem ser pertinentes mas são jogos muito diferentes, especialmente no que toca à arte do jogo.

O objetivo é simples, derrotar tudo o que aparecer no caminho ao soco e pontapé. Podem ir sozinhos ou com a ajuda de até três outros jogadores localmente ou através do Xbox Live . É divertido o suficiente , mesmo se jogarem  sozinhos, mas este é definitivamente o tipo de jogo que é melhor com alguns amigos. Não é também um daqueles jogos que usa o co-op como desculpa.  Charlie Murder tem realmente qualidade tanto a solo como com amigos.

Há elementos de RPG que permeiam quase todas as facetas do jogo . O jogador pode escolher entre cinco classes diferentes, cada uma traz consigo uma personalidade única e estilo de combate . Quanto ao combate em si , é satisfatório permanecendo simples o suficiente para fazer deste um jogo que qualquer um pode simplesmente pegar no comando e jogar. Não há grandes combos complicados, apenas vão ter que se preocupar com dois botões, mas à medida que o jogo avança sentimos que estamos a jogá-lo cada vez melhor.

A história gira em torno do apocalipse e uma fome de vingança, seguindo a banda Charlie Murder que caiu na popularidade e a sua jornada para derrotar a sua gangue rival estrondo Gore Quaffer. Uma vez que tenham escolhido o seu personagem, o jogo lança-nos directamente para a acção, num mundo super violento onde os combates contra bosses são comuns. Este é um jogo frenético, com a acção quase constante , apoiada por uma banda sonora impressionante de musica pesada. Como fã do género apenas me pergunto porquê é que raros são os jogos a usar este género.

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Há uma mistura substancial de inimigos e o ritmo a que estes são introduzidos é perfeito.  Charlie Murder também faz algo bastante engenhoso. Por muito que a jogabilidade seja interessante, raros são os brawlers que se conseguem manter frescos ao longo de toda a campanha e  Charlie Murder reconhece isso, dando ao jogador alguns mini-jogos ocasionais que variam um pouco a jogabilidade. Charlie Murder é um jogo muito ambicioso , uma vez que tenta misturar um brawler side-scrolling com características de RPGs e Dungeon Crawler. Infelizmente como joguei Dragon’s Crown à bastante pouco tempo  Charlie Murder não me surpreendeu tanto como eu acho que faria caso isso não acontecesse. Os dois saíram muito próximos um do outro e são ambos boas propostas, cada um na sua plataforma.

Há muita luta, mas o jogador também começa a ver o seu personagem evoluir ao longo do tempo. Há um bando de habilidades para adquirir, muito loot e muitos itens para equipar. O loot é o elemento mais viciante de um bom Dungeon Crawler e  Charlie Murder não desilude. Apesar de faltar algum loot realmente raro para encontrar, há muita variedade e muitas lojas para adquirir mais equipamento caso o loot não seja o suficiente.

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Depois de chegarem ao fim do jogo há uma muitos segredos para descobrirem , incluindo os códigos QR, áreas escondidas , bosses secretos e dificuldades maiores. A relação preço/valor é boa, havendo muito conteúdo que justifica sem problemas o valor do jogo.  Dado que Charlie Murder é um exclusivo Xbox 360 não vale a pena compara-lo muito com Dragon’s Crown, mas caso possuam as duas consolas, o jogo da Atlus fica um pouco por cima, mas  Charlie Murder é óptimo e tem uma identidade muito própria que pode não agradar a todos, mas irá agradar à maioria.

8.5/10

Tiago Roque

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