Análise Disgaea D2: A Brighter Darkness

Maior parte dos jogos da NISA não apela a todos os jogadores, tendo normalmente um humor no mínimo diferente. Mas alguns atenuam um pouco essa faceta e revelam-se como grandes JRPGs. Dentro deste grupo existe um que se destaca pela sua qualidade acima da média, Disgaea. Facilmente conseguimos acumular horas e horas neste jogos fantásticos e a minha experiência não é diferente. Ainda à pouco tempo joguei a versão PSP do original e sem dar conta já tinha mais de 100 horas e chegado ao fim duas vezes.

Disgaea D2: A Escuridão Brighter é a sequela do jogo original da série. Se um novo jogo da série era algo que eu já esperava e sabia que mais cedo ou mais tarde acabaria por aparecer, não estava à espera era que o novo fosse uma sequela do jogo original que tem já dez anos. Mas foi sem duvida uma surpresa agradável e mal podia esperar por voltar a jogar com Laharl,Etna e companhia. A história começa com Laharl como overlord do submundo após os eventos do jogo original, isto é, se viram o “true ending”. Vendo que muitos demónios não têm ideia de que ele é o overlord, junta-se à antiga “gang” para informar todos os demónios.

Naturalmente, as coisas não saem conforme o planeado. Tal como no jogo anterior a história tem várias reviravoltas interessantes e há alguns momentos engraçados. Ao contrário de outros jogos da NISA, aqui não há um abuso grande das piadas sobre sexo ou algo do género. Sendo uma sequência directa , há toneladas de oportunidades de fazer referencias aos acontecimentos anteriores. Infelizmente a história por vezes perde-se nessas referências e quando damos por ela o jogo está já no fim.

Felizmente a jogabilidade , que compõe a maior parte do tempo do jogador continua a ser tão viciante como sempre. A jogabilidade relativamente simples que mistura estratégia em turnos com uma variedade de diferentes sistemas de RPG continua a ter a profundidade de sempre, apesar de não ter tantos pormenores como os jogos mais recentes. A selecção de classes é mais pequena e não há edição de mapas, apenas o mundo item. O avanço do personagem também é mais simples, com as personagens a aprenderem novas habilidades automaticamente à medida que sobem de nível. Isto faz com que o jogo pareça um pouco mais simples que Disgaea 4, mas relativamente ao original existe realmente uma evolução para melhor. Esta é no fundo uma sequela do primeiro jogo e não uma continuação da série.

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As outras mudanças em Disgaea D2 são mais pequenos retoques nas funcionalidades já existentes. O equilíbrio sempre foi um problema na série Disgaea , sendo necessário algum grind em partes da história. No original por exemplo era preciso repetir o mesmo nível várias vezes para que as personagens aguentassem certos níveis mais avançados. Além disso era normal conseguir atingir o “true ending” na segunda tentativa, a não que tivéssemos paciência para ir repetindo os vários cenários desde o inicio.

Novo na série é a capacidade de montar Prinnies e outros monstros em batalha. Isto é útil em combate , pois permite que um personagem humanoide possa atacar mantendo-se em segurança enquanto o pobre monstro debaixo leva todos os danos. Lutando contra hordas de demónios é ao mesmo tempo desafiador e gratificante em grande parte graças à inclusão de um sistema de AI muito inteligente. Os inimigos podem e vão juntar-se contra nós, encurralando o jogador em muitas ocasiões. Eles vão reagir às mudanças dos painéis Geo no campo de batalha, focar o elemento mais fraco do grupo e tentar sempre ganhar vantagem.

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Se nunca jogaram um jogo Disgaea antes, ou são novos neste género de RPG, podem achar tudo demasiado difícil, pois existem realmente muitas opções na jogabilidade. Embora não seja necessariamente adaptado para iniciantes, existe um bom tutorial que cobre quase tudo o que precisam de saber. Mas é difícil esconder que este é um jogo para quem jogou o primeiro Disgaea. Existem muitas referencias ao jogo original e houve um regresso ao passado de algumas mecânicas. Este é provavelmente o jogo da série mais simples desde o primeiro. Quem abandonou a série depois do primeiro vai ser quem vai aproveitar mais este jogo.

Uma das características mais interessantes do lançamento é a criação de personagens e a ferramenta de personalização . Os pontos ganhos durante a batalha pode ser gasto na assembleia , uma sala em que podem recrutar tanto humanoides como monstros para o nosso exército do mal . Depois de seleccionar uma classe para o seu vassalo, podem nomear e personalizar o seu novo companheiro , e ainda escolher a sua voz .

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Graficamente podem contar com as excelentes sprites 2D HD que caracterizam a série. A sua qualidade é excelente mas um upgrade gráfico era bem vindo. Há muito que não há uma melhoria nesse aspecto. Certas texturas do cenário são pobres, mas os modelos das personagens são fantásticos. A musica pode tornar-se repetitiva ao fim de algum tempo, mas tal como a NISA nos habituou as vozes estão óptimas, tanto as inglesas como as japonesas dão grande personalidade a cada uma das personagens.

Disgaea pode não ser para todos, mas é sem duvida a licença mais abrangente que a NISA tem no seu catálogo. Se não gostam de Disgaea dificilmente irão gostar de outro jogo da editora. O humor é fantástico, as personagens divertidas e a jogabilidade única. A história anda por todo o lado e não irá ganhar nenhum prémio sem duvida, mas consegue entreter-nos para bem mais de uma playthrough. Por muito que pense não consigo encontrar um jogo que seja bem como Disgaea. Sim, alguns jogos da NISA utilizam a mesma jogabilidade, mas nenhum tem um elenco de personagens tão único e um humor negro ao nível de Disgaea. Se jogaram o original não podem deixar D2 de parte. Esta é uma sequela directa do primeiro jogo e recompensa muito os jogadores que acompanham a série desde o inicio. Para os restantes, há sempre Disgaea 4 e com esse podem ficar melhor servidos.

9/10

 

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Tiago Roque

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