Análise: Super Stardust Ultra

Super Stardust foi um verdadeiro sucesso na PS3, sendo um dos primeiros jogos que realmente justificava a existência da PlayStation Store. No entanto a série já existia antes, sendo Super Stardust HD um remake do jogo original. O grafismo HD era soberbo e sobretudo a jogabilidade fluida e viciante era mais do que suficiente para justificar o investimento. Podemos considerar Resogun como uma sequela espiritual de Super Stardust HD e no fundo é até um jogo superior, mais dinâmico, rápido e com melhor flow.

A minha ideia original de Ultra era de que este seria uma versão remastered do jogo da PS3, mas na realidade é algo mais, ou pelo menos é vendido como sendo. É um novo jogo, é vendido como um jogo novo sem opção de Cross-Buy ou update, mas que deixa a sensação de não o ser.

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Se nunca jogaram Super Stardust HD, este pode ser descrito como um twin-stick shooter, uma espécie de Astereroids do século 21, semelhante a Geometry Wars. Este pode até ser o melhor exemplo e acredito que em parte esta é a resposta da Sony ao sucesso de Geometry Wars que foi lançado para Xbox.

O cenário é sempre um pequeno planeta, uma esfera onde os inimigos aparecem a um ritmo estável, mas nunca tão caótico como em outros jogos do género, especialmente nas dificuldades mais baixas. No entanto o jogo nunca se torna aborrecido. As mortes acabam por não ser demasiado escassas para o jogo se tornar aborrecido nem demasiado comuns para se tornar frustrante.

Existem várias armas diferentes, cada uma eficaz para um tipo de inimigo, o que dá à jogabilidade uma certa profundidade e valoriza a aprendizagem. Ao longo de cada sessão as armas vão-se tornando mais poderosas à medida que vamos recolhendo melhoramentos, mas estes podem não ser para a arma que precisamos mais nessa altura.

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Ao todo estão presentes nove modos de jogo, no entanto a experiência de jogo acaba por ser semelhante. Excepto alguns pormenores como a longevidade da sessão e algumas limitações como apenas poder utilizar bombas, as mecânicas base são exatamente iguais. O modo arcade acaba por ser o mais satisfatório e começar no primeiro planeta e acabar no ultimo sem perder é muito mais interessante do que poder apenas utilizar bombas no modo Bomber ou o ataque de boost no modo Impact.

O único modo que muda um pouco as coisas é o modo Blockade que mesmo assim é apenas uma espécie de snake. A principal novidade de Ultra em comparação com HD da PS3 é o modo Interactive Streaming que permite aos jogadores transmitirem uma sessão de jogo em direto e dar a possibilidade aos visualizadores de escolher o que acontece, seja bom ou mau.

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Graficamente Ultra é também muito menos impressionante que o seu primo Resogun. Tem bom aspeto e apresenta boa fluidez graças à melhor framerate, mas não está ao mesmo nível do que de melhor podemos encontrar na PS4. Podemos inclusive encontrar muitas semelhanças no funcionamento dos dois jogos, com efeitos sonoros a sair do DualShock 4, mas Resogun é no fundo uma evolução da mesma fórmula, o que acaba por deixar Super Stardust com os seus mundos esféricos um degrau abaixo.

O multijogador é satisfatório, com quatro jogadores a poderem jogar na mesma tv, mas nada se compara à experiência a solo de tentar bater o nosso próprio record. Jogar com amigos é divertido, mas não é nem de longe nem de perto o aspeto principal do jogo.

Se já se fartaram de Resogun e gostaram de Super Stardust na PS3 esta é uma boa proposta, mas é apenas isso, boa. Resogun é o jogo em que devem apostar se não o possuem ainda, pois na PS4 é superior em tudo. O grafismo é superior, a jogabilidade melhor e todas as mecânicas de jogo são no fundo as mesmas de Super Stardust mas melhoradas e refinadas.

 

 

Tiago Roque

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