Análise: Destiny: The Taken King

Destiny pode não ter cumprido tudo a que se comprometeu, mas isso é porque tenha prometido demais. A história confusa e uma IA que nem sempre se mostrava muito inteligente aliado a um grind exagerado tornaram Destiny uma experiência de jogo que não agradou a todos.

Apesar disso muitos continuaram a encher os servidores, com as quests diárias e eventos semanais a terem bastante procura, assim como um constante fluxo de jogadores a tentarem a raid Vault of Glass. Em termos de conteúdo, Destiny acabava por ter pouco. Semanas depois do lançamentos apenas estávamos a repetir o mesmo conteúdo vezes sem conta para tentar adquirir melhor equipamento.

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The Taken King é a primeira grande expansão para o jogo da Bungie. The Dark Below e House of Wolves foram entretendo os jogadores, mas acabaram por cometer muitos dos erros do jogo base. Aproveito esta análise para dar a minha opinião sobre os anteriores DLCs, até porque estão incluídos na versão Legendary de The Taken King, aquela que vale realmente a pena pois inclui tudo o que saiu até agora em Destiny pelo preço que o jogo tinha quando saiu à 1 ano atrás.

O primeiro DLC, The Dark Below, é sem duvida o menos conseguido de todos, contando apenas com 3 missões de história, 2 strikes e 1 raid. Em termos de história continua com os problemas de Destiny. Uma narrativa mal contada que parece um manto de retalhos e que na melhor das hipóteses se consegue fazer sentido graças a alguma Wiki online.

No que se pode considerar narrativa, um dos poucos aspetos positivos é a introdução da nova personagem da torre, Eris Morn, uma personagem misteriosa que além de marcar presença aqui é também uma das personagens mais importantes da expansão mais recente, The Taken King.

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Além dos problemas já referido, este é um DLC que não acrescenta realmente nada de novo. As localizações são as mesmas do jogo base, assim como os inimigos. No máximo há uma ou duas áreas novas. As missões também não são propriamente bem desenhadas, um problema que manteve do jogo base também. E acaba, tal como Destiny, em beleza. Deixando o melhor para o fim, ou seja, a sua Raid, Crota’s End, que tem a particularidade de ter uma ligação narrativa direta com The Taken King que já irei referir.

O segundo DLC, House of Wolves traz consigo mais novidades. A narrativa está melhor estruturada, percebendo-se um pouco melhor a história, no entanto isso deve-se a esta ser afastada da narrativa principal. A rainha, personagem que já conhecemos na história de Destiny, abre o Reef a todos os guardiões e pede-lhes que procurem a House of Wolves, um grupo de Fallen que já foi leal à rainha. Não sendo preciso grandes conhecimentos prévios da história de Destiny, este é um DLC agradável que traz consigo novas zonas e um novo modo de jogo.

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House of Wolves não traz consigo uma nova Raid. Em vez disso conta com um novo modo de jogo, uma arena cooperativa em que o jogador tem que sobreviver juntamente com uma equipa de outros guardiões a hordas de inimigos em várias zonas diferentes. As recompensas são generosas especialmente na arena de dificuldade mais alta que não conta com matchmaking. No final de cada arena podem ainda abrir um cofre com boas recompensas, normalmente exóticas, desde que tenham uma chave especial que terão de encontrar a trabalhar para a rainha, nas suas quests por exemplo.

Depois temos a cereja no topo do bolo desta nova edição de Destiny, a expansão The Taken King. Se forem como eu e deixaram de jogar Destiny antes de sair qualquer DLC, assim que começarem a jogarThe Dark Below vão ficar desiludidos. Mas o salto de qualidade em The Taken King é gigante. A história por exemplo, apesar de seguir os eventos de The Dark Below é a narrativa mais coerente que a Bungie nos deu desde a série Halo. Depois de derrotar-mos Crota no primeiro DLC temos de lidar com o pai, Oryx que chega na nave Dreadnaught que é uma área completamente nova que podemos explorar.

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Enquanto que os DLCs anteriores apenas introduziram pequenas novas zonas, The Taken King dá-nos uma nave gigante com quase tanto conteúdo como qualquer dos restantes planetas do jogo. Mas o melhor que The Taken King traz consigo são as melhorias a todos os níveis, o chamado Destiny 2.0. Todos os problemas que foram sendo apontados pelos jogadores ao longo do tempo parecem ter sido resolvidos.

As quests diárias que antes pediam coisas ridículas como matar 10 guardians com um headshot de sniper num qualquer modo do crucible desapareceram por completo, sendo substituídas por quests muito mais acessíveis, como ganhar um jogo qualquer no crucible ou matar 10 Cabal. Isto faz com que seja possível e até normal conseguir fazer todas as quests diariamente.

O sistema de loot foi também revisto. Já anteriormente tinha sido alterado para que um engram lendário não se torna-se uma arma comum, mas agora é muito mais fácil conseguir equipamento exótico sem ser apenas pela visita semanal de Xúr. Agora sabemos facilmente onde podemos encontrar as melhores recompensas e gerir as nossas quests de forma mais simples com o novo sistema de tracking.

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A própria IA foi revista. Os inimigos são agora mais inteligentes, criando campos de força que nos obrigam a repensar as nossas estratégias. A jogabilidade de Destiny era demasiado simples normalmente, com um apontar para o ponto fraco e disparar, mas já não é assim. Goblins e Vandals por exemplo agora são inimigos completamente diferentes daquilo a que estávamos habituados graças às suas novas habilidades.

Com as anteriores expansões o nível máximo passou para 40 e o sistema de light foi revisto e agora baseia-se no bonus de ataque e defesa do nosso equipamento e não soma ao nível do guardião, tendo um nível distinto. Podem agora ser nível 40 com 160 de light ou nível 40 com 300 de light, o que é completamente diferente. Para as nossas personagens vieram também novas subclasses, uma para cada classe  existente, Nightstalker que é uma espécie de subclasse de suporte do Hunter que consegue imobilizar inimigos, o Stormcaller que tem a habilidade de dizimar grupos de inimigos e o Sunbreaker que cria zonas.

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Pelo conteúdo novo que traz e principalmente pelas melhorias que traz para o jogo base, The Taken King é sem duvida obrigatório. É sem duvida esta a visão de Destiny que a Bungie tinha em mente e deixa os jogadores realmente ansiosos pelo que virá a seguir.

Quando avaliei Destiny disse que “Destiny prometeu muito e conseguiu cumprir a maioria das promessas. Infelizmente a história e IA ficam bastante aquém das expetativas. Mas esta é apenas a base para algo mais grandioso, portanto pede-se alguma calma aos jogadores” e não me enganei. O algo mais grandioso está aqui e chama-se The Taken King.

Tiago Roque

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