Análise: FIFA 16

FIFA 16 apresenta-se com algumas novidades, talvez aquele que traz mais novidades nos últimos anos. Enquanto que os jogos anteriores se limitaram a melhorar o que tinha sido feito até aí, este ano há realmente ideias novas.

A principal novidade é sem duvida a inclusão das seleções femininas. Por agora ainda não há clubes, talvez um dia, mas por agora apenas podemos jogar com as selecções, algo que é compreensível. O futebol feminino é apenas relativamente conhecido nas seleções, com três ou quatro jogadoras conhecidas. É basicamente algo que nos lembramos que existe sempre que há um mundial ou europeu e pouco mais. É uma realidade que pode não agradar a todos mas é a realidade.

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Outra novidade é o modo draft no Ultimate Team. Não é segredo nenhum que o Ultimate Team vai buscar inspiração aos jogos de cartas, como Hearthstone por exemplo e este é mais um exemplo. Se sabem como funciona um draft podem imaginar como funciona este modo, mas se jogaram Hearthstone é mais fácil de fazer uma comparação. 

Imaginem o modo arena mas com jogadores de futebol em que o deck é a nossa equipa e vão ter uma ideia exata do modo draft. Basicamente é-nos dado uma série de jogadores e temos que escolher apenas um e depois repetir o mesmo processo para cada uma das posições da equipa, incluindo suplentes.

É possível desta forma ficar com uma verdadeira equipa de sonho durante alguns jogos sem termos de os comprar. Ter o Ronaldo ou o Messi numa equipa do Ultimate Team não é tarefa fácil. São jogadores muito raros para sair facilmente numa saqueta e caros demais para comprar rapidamente. Mas no modo draft calhou-me um Ronaldo logo na primeira tentativa. 

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Obviamente não é gratis entrar neste modo, mas as recompensas valem a pena. Tal como no modo arena de Hearthstone apenas podemos continuar a jogar caso ganhemos. Aqui apenas podemos perder uma vez, sendo o objetivo ganhar 5 jogos seguidos. Não fiz as contas portanto não sei a partir de quantas vitórias vale a pena o investimento, pois para entrar no modo draft vão ter que gastar 15000 moedas.

Mas como em qualquer jogo deste género o importante é a jogabilidade. Se jogarem muito um FIFA todo o ano é realmente complicado mudar para o ano seguinte. Estamos habituados a rematar e passar de uma forma diferente  e demora a voltar a dominar um jogo que estava completamente dominado. E este é mais um desses casos. 

FIFA 15 tinha uma dinâmica incrível. As jogadas eram rápidas e os golos bonitos. Por vezes o jogo era demasiado rápido até. Era normal conseguir fazer jogadas quase impossíveis com jogadores como o Messi ou Ronaldo. Pegar na bola no pontapé de saída e ir por ali fora era normalmente eficaz. Alguns jogadores conseguiam curvar quase como se as leis da inércia não existissem.

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Isso quase que desapareceu em FIFA 16. O jogo abrandou e assemelha-se mais a FIFA 14 do que a FIFA 15. Os passes são muito mais complicados e é normal passar a bola para onde não queremos. A bola fica muitas vezes presa nas pernas dos adversários e comporta-se de uma forma mais realista. É agora necessário muito mais cuidado no passe principalmente. Temos que ter a certeza do que realmente queremos fazer. 

Algumas coisas que se faziam facilmente são agora quase impossíveis. Receber a bola de um lado e passar imediatamente para trás por exemplo resulta quase sempre num passe errado e uma bola que quase não se mexeu. 

Os remates foram também revistos e agora é mais eficaz rematar de longe por exemplo. Rematar na linha da área com a força exata é quase sempre golo quando sabemos para onde apontar, no entanto os guarda redes estão melhores. Nos cantos por exemplo são mais agressivos e temos que posicionar melhor o nosso cruzamento.

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Um aspeto que na minha opinião precisa de ser revisto é a pressão dos jogadores. Houve demasiadas ocasiões em que não percebi o que fiz de mal para causar um pênalti. Devem perceber que foram realmente muitas ocasiões para eu estar a referir isto. Se por um lado é fantástico ver o pormenor que estes jogos atingiram com até o puxar de camisolas estar tão realista, há situações em não consigo perceber o que fiz para que o jogador fizesse um pênalti.

Por fim temos algumas melhorias em pequenos pormenores. Os árbitros por exemplo agora utilizam o spray que foi introduzido este ano. Durante o jogo podemos ver as linhas que vão ficando sempre que há um livre. Depois além das novidades nos festejos há que realçar o pormenor das câmaras de video. Estes pequenos objetos que nunca serviram para nada apesar de presentes em jogos anteriores, agora têm uma função. Durante um festejo podem correr para uma das câmaras que estão fora do relvado para um festejo diferente.

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Todas estas alterações parecem estranhas durante a primeira semana, mas após o primeiro impacto começamos a ver que há semelhanças e o sentimento continua a ser o mesmo. Infelizmente não recebi o jogo da Konami para poder fazer uma melhor comparação, mas no que toca ao FIFA 16, é mais do mesmo, o que no caso do FIFA é algo bom.

Quando se tem uma formula quase perfeita é complicado mexer pois os jogadores estão habituados a uma certa jogabilidade. Falo por experiência própria que apesar de não ser propriamente bom a jogar FIFA jogo bastantes horas durante o ano e custa-me bastante fazer uma espécie de reset anual sempre que sai um novo jogo.

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Se forem um daqueles jogadores que apenas compra um FIFA de 2 em 2 ou 3 em 3 anos esta é sem duvida um ano em que devem comprar. As seleções femininas e o modo draft são novidades muito bem vindas e trazem algo de realmente fresco a um jogo que precisava de mostrar algo novo, pois apenas melhorias na jogabilidade e planteis atualizados não justificam uma compra anual.

No que toca às equipas portuguesas podem contar com o que a EA já nos habituou, ou seja todas as equipas da primeira liga estão presentes com os jogadores com os nomes corretos, mesmo que alguns depois tenham modelos 3D dentro do jogo que em nada pareçam os jogadores reais. Alguns jogadores são também bem mais fracos do que na realidade. Como portista custa-me ver o Tello a correr menos e o Brahimi sem o drible que o caracteriza, mas são pequenas queixas. 

Tiago Roque

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