Análise: Gravity Rush Remastered

Gravity Rush é a prova de que a PlayStation Vita tem jogos de uma qualidade invejável, mas infelizmente é também a prova de que a Sony não consegue afirmar-se no segmento das portáteis. Lançado no início de vida da segunda portátil da Sony, foi muito elogiado pela crítica graças ao aproveitamento que fazia das capacidades da consola, tanto em termos de poderio gráfico como também ao utilizar todas as formas de interação que a Vita possui.

Era um jogo pensado para tirar partido da plataforma em que foi criado e isso nota-se assim que começávamos a jogar. Era um jogo que funcionava perfeitamente em sessões de jogo curtas e mantinha-se interessante do início ao fim. Graficamente utilizava uma forma fora do comum de cell shading, misturando uma estética BD com algumas variações nipónicas.

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Todo o jogo tinha uma certa harmonia. A história tinha coerência com as mecânicas de jogo que por sua vez se encaixavam perfeitamente com os controlos. As personagens davam vida a um mundo que por si só tinha originalidade suficiente para sustentar toda a narrativa. Kat é uma personagem que tem todos os elementos de um bom protagonista, apesar de tal como a jogabilidade nos deixa confusos, também a história dá algumas voltas que nos deixam a coçar a cabeça.

Gravity Rush baseia-se no controlo da gravidade como mecânica principal, algo que tendo em conta o nome do jogo não irá espantar ninguém. Kat pode flutuar e mudar a orientação da força gravítica do mundo que rodeia, não apenas para si mas também numa pequena área que a rodeia. Isto tem além de óbvias utilidades, como a criação de uma área de levitação que nos permite levitar objectos para serem transportados, também momentos cómicos com os NPCs que nos rodeiam a voarem projectados connosco quando usamos os poderes de Kat com estes perto.

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Além disso, existe um sistema de combate em que além de combate corpo a corpo tradicional podemos usar os poderes gravíticos para nos lançarmos pelo ar e lançar pontapés ao longo de metros e metros de cenário. Os inimigos em Gravity Rush são pequenas (ou ocasionalmente gigantes) criaturas vermelhas que têm uns pontos fracos bastante evidentes. Lançar um pontapé através de uma distância imensa e acertar directamente num destes pontos é surpreendentemente recompensador. Espalhados pelo mapa existem ainda objetos que nos ajudam a melhorar as habilidades de Kat, tornando o jogo mais fácil, pelo menos nas secções de combate.

Mas tudo isto é passado. Gravity Rush é agora na PS4, Gravity Rush Remastered e apesar de manter todos os elementos que o tornaram um clássico da Vita, perde alguma da mística na transição. Mas nem tudo é mau. Apesar de não ter sido pensado para o “grande ecrã”, Gravity Rush funciona até melhor com um comando. Os controlos são mais precisos e controlar Kat está melhor do que antes. As mudanças bruscas de direcção para ganhar tempo e poupar os poderes de Kat são mais fáceis e eficazes e facilmente quem não conhecer as suas origens irá notar que se trata de um jogo com origem na Vita.

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Graficamente não se apresenta no mesmo patamar de outros jogos da PS4. Menos detalhado e com piores texturas, este Remastered precisava de um pouco mais de polimento para chegar ao nível do que a consola da Sony é capaz. Para compensar essas pequenas falhas está a quantidade de conteúdo. Não seria de esperar outra coisa aliás. Qualquer versão Remastered que não ofereça algum conteúdo extra, mesmo que pouco não irá certamente agradar a todos os jogadores.

O principal problema acaba por ser o impacto que estes lançamentos têm nos jogadores mais dedicados da Vita. As razões para comprar uma consola portátil da Sony começam a escassear, principalmente porque os melhores jogos, aqueles que realmente nos fazem comprar uma consola deste género, acabam por encontrar o caminho para uma consola de sala. Se na PSP o mesmo foi acontecendo, também na Vita este mau exemplo tem sido seguido.

Mas há quem fique a ganhar, e neste caso são os jogadores da PS4 que recebem um excelente jogo, com mecânicas originais e pouco habituais, com um grafismo decente e uma narrativa sólida que apesar de ser um pouco confusa a espaços, consegue entreter com o seu elenco de personagens interessantes.

 

 

Tiago Roque

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