Análise: O Primeiro Encontro

Os filmes sobre o primeiro contacto com uma raça alienígena são muitos mas os realmente bons contam-se pelos dedos de uma mão. Se tivesse que escolher um favorito teria que ser o clássico de Steven Spielberg Close Encounters of the Third Kind, um dos poucos que adopta a ideia que uma raça alienígena poderia vir à Terra sem ser para nos conquistar. O Primeiro Encontro vai buscar alguma da sua inspiração aí e o resultado é igualmente grandioso.

O Primeiro Encontro conta uma história bastante original, focando-se na dificuldade de comunicação que certamente iria existir se uma raça extraterrestre realmente aterra-se na Terra. Com um bom elenco e pelo menos uma excelente representação da parte de Amy Adams que interpreta a Doutora Louise Banks, uma especialista de linguistica que é recrutada pelo exercito americano para estudar a língua alienígena. Num dia normal para Louise as 12 naves chegam à Terra e os EUA juntam-se a um esforço global entre cada nação onde as naves aterraram para tentar comunicar e perceber o propósito da sua vinda.

Enquanto a história se desenrola vamos conhecendo melhora vida e passado de Louise e da sua filha que logo no inicio ficamos a saber que morrera de alguma doença. No papel secundário temos Jeremy Renner que interpreta o papel de Ian Donnelly um cientista que irá ser o principal aliado de Louise na tentativa de comunicação. Revelar mais do que isto iria estragar o filme para quem ainda está na duvida se o deve ver ou não.

Também fazem parte do filme alguns cenários do impacto social e económico que este primeiro contacto iria ter na sociedade. Países como a China e Russia cedendo em primeiro a uma resposta mais agressiva por exemplo e motins a incendiar cidades em todo o mundo.

Mas aquilo que começa como um filme de primeiro contacto revela-se algo mais. O terceiro acto do filme começa fugir do convencional para se tornar a melhor parte do filme. É surpreendente sem cometer demasiado riscos, deixando uma mensagem duradoura. É um filme que nos faz pensar sem ser demasiado pretensioso e massudo, mas acima de tudo num mundo cinematográfico em que a ação pura e dura é quase obrigatória e a violência no género Sci-fi se tornou comum e banalizada, O Primeiro Encontro traz realmente algo de novo.

É a linguagem o elemento fundamental do filme, a forma como ela nos molda e condiciona a nossa forma de pensar e interagir. No português por exemplo, temos uma estrutura de frase que condiciona como pensamos. O português é também uma agradável surpresa, sendo referido logo no inicio do filme. Em português e inglês temos a estrutura normal de Quem, O quê e depois um série de opções, mas poderia não ser assim noutra língua e essa forma diferente de pensar poderia implicar diferenças em vários processos do cérebro. É essa a principal ideia de que O Primeiro Encontro explora tão originalmente e bem.

Tiago Roque

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