Voltar a GTA III em 2016

Se há coisa que nos faz sentir velhos é ver quando certos jogos ou filmes foram lançados e um desses jogos é GTA III. O primeiro jogo da série completamente em 3D foi lançado em 2001, saindo no PC no ano seguinte. Isto faz com que um dos jogos de infancia de muitos jogadores tenha 15 anos. Mas ainda mais surpreendente é que foi lançado apenas um ano depois do segundo jogo da serie. A diferença entre o primeiro e o segundo é abismal e toda essa evolução aconteceu em apenas um ano.

Voltar a esta Liberty City em 2016 além de nostalgia traz uma certa dose de realismo. GTA cresceu muito em tamanho, visualmente e em gameplay, mas o seu núcleo está intocável há 15 anos. Em 2001 não podíamos fazer nenhuma dessas coisas giras que San Andreas trouxe, como cortar o cabelo, ou entrar em muitos edificios e disparar uma arma era também uma tarefa bem mais complicada e ineficiente, mas o resto do jogo está intocável.

Eu não tinha aquela imagem que muitos jogadores têm dos seus jogos de antigamente e apesar de ter grandes memórias do jogo havia uma coisa que tinha a certeza que me lembrava, o quão pobre era o combate em GTA III. Mas do resto tinha a minha opinião influenciada pela nostalgia e voltar a esta cidade virtual é quase um regresso a casa. Existem jogos mais lineares em que não me lembro de niveis inteiros, mas Liberty City continua cravada na minha memória. Lembro-me onde é a loja de armas, o 8 Ball para armadilhar o carro ou o stand com o primeiro carro rapido que encontramos no jogo. Tudo isso é instintivo sem olhar para o radar sequer.

Até visualmente este é um jogo que envelheceu bem talvez graças a uma abordagem cartoon que os criadores tomaram na altura, mas principalmente porque os modelos dos carros eram tão bons. A cidade mostra algumas texturas datadas e a iluminação é o que tecnologia permitia na altura, mas ainda tudo tem bom aspecto e mesmo os jogadores mais reticentes a jogar algo tão antigo não se vão importar com o grafismo.

Mas deixando de parte o seu valor atual, GTA III tem um valor histórico imenso. Poucos são os jogos que foram tão influentes como GTA III foi. Os jogos de mundo aberto continuam ainda hoje em dia a usar exatamente as mesmas mecanicas que a Rockstar introduziu. Desde Mafia até Assassins Creed, todos eles devem a sua existência a GTA III. A própria forma como se progride num jogo deste género tem as suas raizes aqui, abrindo a cidade aos poucos utilizando a narrativa para ampliar a cidade e ir guiando o jogador para que este a conheça através das missões. Até as atividades secundárias, apesar de poucas já existiam. Além de taxis e outros serviços, já existiam os telefones que podiamos atender para missões secundárias.

Por todas estad razões, deixem o quinto jogo da saga na prateleira uma semana e reliva a adolescencia e voltem a jogar uma parte importante da história dos videojogos. Voltem a controlar a personagem muda que serviu de alicerce a dezenas de jogos e reencontrem as personagens marcantes e mais importante do que isso, a verdadeira personagem, Liberty City.

Tiago Roque

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