Análise: Vaiana

Sempre que a Disney lança um filme de animação normalmente acontecem uma série de coisas. A primeira é que o filme é bom, a segunda é que milhões de pessoas, tenham elas a idade que tiverem, o vão ver ao cinema e a terceira é que está automaticamente nomeado para os Oscars. Vaiana não foge a nenhuma destas regras.

Mas primeiro é preciso deixar alguns aspectos claros. Primeiro que tudo, Vaiana é um dos filmes de animação por computador mais bonitos que já vi. As personagens num estilo menos exagerado que no estilo Pixar têm as expressões faciais melhor conseguidas de que tenho memória e o cenário do Pacifico é um regalo para os olhos, colorido e naturalmente belo.

A história em si no geral é o normal Disney mas com algumas diferenças importantes. Vaiana não é uma princesa indefesa, mas sim a verdadeira heroína da historia. É a sua aventura a salvar o mundo, mesmo que tenha a ajuda de Maui, o semideus com mais titulos que o Rei de Westeros. Vaiana, o filme, está auto-consciente do cliché Disney e em mais do que uma ocasião brinca com o facto de Vaiana ser uma princesa e de neste e grande parte dos outros filmes Disney se cantar muito.

A ilha de Vaiana vive à tanto tempo em paz e conforto que se esqueceram dos seus antepassados, vivendo apenas com o medo do mundo para além do recife. No seu passado viveu o semideus Maui que para satisfazer os humanos roubou o coração de Te Fiti, o que lançou o mal no mundo, que consome ilha após ilha. Na infância, Vaiana é escolhida pelo mar, mas apenas quando o mal chega à sua ilha e devido a uma tragédia familiar é que Vaiana ignora os conselhos dos pais e se lança ao mar para encontrar Maui e repor a paz no mundo.

A base da história pode não ser das mais originais, mas as personagens fazem deste mais um filme memorável da Disney. Vaiana enquanto princesa está longe do cliché de princesa indefesa e até Maui está longe de ser o típico herói. Trata-se da típica mensagem da adolescente que se tem de conhecer, saber qual o seu propósito e o seu valor, mas as relações com as outras personagens são um dos aspectos mais marcantes do filme, principalmente a relação que tem com a sua avó e o seu pai, que são quase personalidades opostas.

Como estamos a falar de um filme da Disney temos de falar das musicas e Vaiana não desilude. Apesar de não ter nenhuma Let it Go, todas as musicas são agradáveis. Até que ponto serão lembradas e resistirão ao teste do tempo, isso já não consigo responder. Mas já que estamos a falar de som, podemos falar do que menos gostei do filme. Felizmente é algo que apenas acontece com a dobragem e seria facilmente resolvido se os cinemas não tornassem a tarefa de ver um filme de animação com legendas quase impossível.

A animação por computador está cada vez melhor e além do aspecto geral ser cada vez melhor, o que se nota à distancia em Vaiana, também as expressões faciais e os gestos da boca e é aqui que as dobragens me começam a meter impressão. Para qualquer criança isto não é problema, mas para mim ver a personagem a fechar a boca para cantar um som tipo “o” e sair um grande “A” retira-me a atenção do filme.

Não quero criticar as prestações portuguesas, até porque acho que no geral são boas e as musicas estão muito bem interpretadas, tendo duvidas que se tenha perdido alguma coisa na tradução, mas a não ser que tenham crianças convosco, procurem uma sessão legendada.

É um filme ideal para esta altura do ano, para levar as crianças mas sem ser demasiado infantil e aborrecido para os pais, algo que é quase uma regra nos filmes Disney também. Outro cliché são os companheiros da personagem principal. Nenhum filme da Disney ficaria completo sem pelo menos duas personagens antropomórficas que ficam encarregues dos momentos mais cómicos do filme, desta vez esse papel fica encarregue de um porco e uma galinha.

 

Tiago Roque

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