Análise: Syndrome

Os jogos do género survival horror têm tido um renascimento em força nos últimos anos, principalmente devido a Amnesia e os vídeos no YouTube que este proporcionou. Syndrome segue as linhas desta nova vaga de jogos do genero, com um foco principal na exploração tentando assustar o jogador graças principalmente à sua atmosfera e ambientes sombrios. Isso também significa que no geral são jogos bastante lentos mas que no mantêm o coração num ritmo bastante acelerado.

Antes do fenómeno Amnesia e Slenderman seria fácil dizer que este tipo de jogos não vão vender milhões, que sao para os fãs, mas agora tudo depende da cobertura que o jogo tiver. Basta um video do PewDiePie para aumentar exponencialmemte as vendas e os estúdios que criam este tipo de jogos sabem disso.

A atmosfera parece normal e calma nas primeiras áreas mas intensifica-se rapidamente na primeira meia hora. O facto de toda a acção se passar numa nave espacial em que algo correu mal pode ser um pouco limitador em termos da variedade dos cenários. Quase toda, senão toda mesmo, a acção desenrola-se em corredores, e salas semelhantes. Isto não quer dizer que não existam variantes e as simples mudanças na iluminação conseguem trazer algo de novo visualmente.

Syndrome não é um shooter e mesmo os primeiros jogos do género e a realidade é que o jogador passa maior parte do tempo a explorar os cenários à procura de algo, que nem sabe bem o que é. Existem objectivos, mas o jogo sabre sempre bem mais do que nós. O jogo encoraja-nos a ser furtivos, no entanto o funcionamento do sistema stealth é fraco e o mais simples possível. A jogabilidade mais ligada à componente de acção do jogo simplesmente não funciona. Além da componente furtiva, também as mecânicas FPS são pobres com disparos aborrecidos e que demoram demasiado a matar o que quer seja, da mesma forma que o combate corpo a corpo se baseia num sistema completamente datado.

A personagem do jogo sabe o que fazer quando o objectivo é voltar a ligar a rede de energia na secção xpto, mas o jogador não faz a mínima ideia. Simplificar a vida ao jogador indicando-lhe por exemplo o onde ir é algo que para mim para além de simplificar a vida ao jogador, faz sentido, porque fornece ao jogador informação que a personagem do jogo tem. Concordo que o jogo não deva guiar a mão do jogador e quando o jogador sabe tanto como a personagem a acho que se deva deixar o jogador à deriva mas nestes casos simplesmente não faz sentido.

Syndrome oferece também uma experiência arcaica noutros sentidos. Os pontos de gravação são também manuais e encontram-se espalhados pelo cenário. Da primeira vez que joguei tive que largar o jogo ao fim de uns 25 minutos e simplesmente assumi que o jogo gravava ao sair ou pelo menos tinha um autosave algures, mas quando regressei tive que fazer tudo novamente.

Tiago Roque

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