Análise: Velocidade Furiosa 8

Se há uma saga que quase se confunde com o conceito de Blockbuster, essa saga é Velocidade Furiosa. Apesar de o primeiro ser humilde e ser um filme apesar de tudo sobre corridas ilegais, com a excepção do terceiro, todos os seguintes pareciam ter como objectivo ser mais espectacular que o anterior, aumentando o orçamento para destruição e explosões.

Antes de Daniel Craig já existia 007 e mesmo antes dele existiu um filme que marcou o fim de uma era e que obrigou a quase um reboot chamado Casino Royale. Pessoalmente consigo encontrar muitas semelhanças entre Velocidade Furiosa 8 e Morre Noutro Dia. 007 sempre foi exagerado mas quando tudo se tornou um pouco demais foi preciso repensar toda a saga. Apesar de ser mais um bom filme na série, não consigo deixar de pensar que a saga pode estar a chegar ao mesmo ponto que 007. Quando se tem um exército de zombies automóveis a atacar um ministro, The Rock a desviar torpedos com as mãos e uma gangue agentes especiais a serem perseguidos pelo gelo num submarino soviético, para onde poderá a série ir a seguir?

No filme anterior a grupo despediu-se de Brian por motivos mais do que óbvios. Agora sem essa carga emocional, a saga procura um novo vilão mas que parece estar mais ligado aos filmes anteriores do que seria de esperar. O filme começa com Dom e Letty em Havana a aproveitar a vida fora do crime mas rapidamente passamos para mais uma corrida, numa das sequências mais exageradas se todo o filme. Relembro que há submarinos soviéticos e torpedos desviados com as mãos.

É ainda em Havana que conhecemos a nossa vilã interpretada por Charlize Theron que diga-se de passagem é dos melhores aspectos do filme. Habituada ao papel de vilã Charlize Theron consegue ser convincente mas um pouco exagerada. É também aqui que conhecemos os motivos que levam Dom a virar as costas à família. Apesar de não ser um motivo óbvio ou previsível, não é surpresa que tinha de existir a algo de forte por detrás da traição. Cipher é uma vilã diferente, mais inteligente e tecnológica, mas mais exagerada também. Novamente volto a referir que a série nunca esteve tão perto de um filme de espiões como agora é Cipher encaixa que nem uma luva na definição de vilã Bond. O próprio nome Cipher parece mais o nome de um vilão da saga Bond do que de uma saga de filmes de corridas.

Como temos consciência do que motiva a traição de Dom o impacto emocional que o filme consegue é fraco e mesmo antes de sabermos exactamente o que se passa sabemos que está a ser chantageado, portanto o filme nunca atinge o potencial dramático que os criadores infligiram nas personagens e que nunca se transpõe para quem vê o filme. Mas, ao contrário do filme anterior em que por razões óbvias tinha uma carga emocional grande e mesmo filmes anteriores, este foi direccionado sempre para o cinema espectáculo e é mesmo isso que tem para oferecer.

Tiago Roque

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